Iuri Leitão é um dos ciclistas portugueses mais populares da atualidade. O vianense de 26 anos, que está em último ano de contrato com a Caja Rural - Seguros RGA, falou à Agencia Lusa sobre como pretende ser visto agora que vai ganhando um maior estatuto fruto dos cada vez mais impressionantes resultados na pista.
Iuri Leitão é agora campeão europeu de Scratch por 4 vezes (2020, 2022, 2024 e 2025) e atual campeão europeu de corrida por pontos, também deverão certamente estar recordados da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de 2024 em Madison (com Rui Oliveira) e da medalha de prata de Omnium, disciplina onde também se sagrou campeão do mundo em 2023. Ainda assim, Iuri admite que a vertente da pista ainda é relativamente desconhecida para o público em geral e que é muitas vezes questionado sobre como funcionam as corridas mais ao pormenor: "Nem toda a gente ainda entende exatamente o que é que está a acontecer, por mais que os comentadores tenham feito um bom trabalho a explicar. Às vezes, as pessoas querem uma explicação mais detalhada e costuma acontecer (dar a explicação)”
Mas será que este impressionante palmarés (ainda por mais se tivermos em consideração que estamso a falar de um atleta de apenas 26 anos, que ainda se prevê que tenha vários anos pela frente no pico da carreira) tem afetado aquilo que é o estatuto do Iuri dentro da formação espanhola da Caja Rural? “Não vou dizer que [o estatuto] mudou por causa do título olímpico, eu acho que muda essencialmente pela consistência que tenho vindo a ter na equipa nas corridas de estrada, porque, parecendo que não, não tem nada a ver uma coisa com a outra e a equipa exige de mim resultados na estrada. É isso que eles querem”
Já relativamente à estrada, Iuri é um ciclista com um palmarés relativamente curto, mas já abriu o livro de vitórias em 2025 no Trofeo Palma onde derrotou ciclistas como o camisola verde da última Volta a França, Biniam Girmay, bem como o vencedor da famosa etapa da gravilha do Tour 2024, Antony Turgis e outros sprinter de renome como Arnaud Démare, Alberto Dainese, Soren Warenskjold e Stanislaw Aniolkowski. Iuri conta que com isto espera que o "respeitem um pouco mais" e que a equipa o "tenha em conta de outra forma".
O ciclista português esteve esta semana presente na Volta ao Algarve mas acabou por abandonar a corrida após uma queda na etapa 4, no sprint que foi vencido por Jordi Meeus. Felizmente saiu relativamente ileso da queda e revela boas sensações de uma forma geral: “O corpo tem reagido bem. Agora, é tentar não abusar talvez, aproveitar o máximo do calendário do início da época até ter uma primeira pausa e, depois, preparar a segunda fase da temporada. Temos agora provas importantes a seguir à Volta ao Algarve e quero tentar manter a forma o maior tempo possível” admite.
Por fim, relativamente a objetivos de época o Iuri falou-nos do seu desejo de se estrear em Grandes Voltas, nomeadamente na Volta a Espanha onde a formação espanhola da Caja Rural terá maiores hipóteses de obter convite por wildcard. O vianense considera que o seu próprio estatuto pode ser uma mais-valia para a equipa obter o tão desejado convite: “Tendo em conta que eu levo a marca da equipa a esse tipo de palcos, eu acho que seria tonto da parte deles não aproveitar essa imagem, porque, lá está, até um atleta olímpico que faz resultados do nível que eu tenho feito, é sempre bom para a marca da equipa poder aproveitar essa alavancagem”, notou.
E para o futuro? O futuro a Deus pertence mas garantidamente caso o português não renove com a formação da Caja Rural não lhe faltarão equipas interessadas na sua contratação, inclusive equipas do nível World Tour. O futuro é risonho para Iuri Leitão!