Tadej Pogacar chega à
Paris-Roubaix este fim de semana com a possibilidade de completar o pleno dos Monumentos, depois de já ter conquistado a Milan-Sanremo e a Volta à Flandres nesta primavera.
Mas enquanto o mundo do ciclismo olha para a história, os que lhe são mais próximos focam-se noutra coisa.
“Estamos um pouco receosos de que lhe possa acontecer alguma coisa. É perigoso, com as quedas, as más estradas, as altas velocidades…”
disseram em declarações recolhidas pelo HLN, os pais de Pogacar, Marjeta e Mirko, oferecendo uma perspetiva que corta o ruído crescente em torno da sua aposta em Roubaix.
História em jogo, mas não em casa
Vencer no domingo colocaria Pogacar ao lado do muito restrito grupo de corredores que conquistaram os cinco Monumentos, feito não alcançado desde Roger De Vlaeminck. É a narrativa central à entrada da corrida, sobretudo após a quase-surpresa na estreia no ano passado, quando uma queda travou o que se perfilava como um duelo com Mathieu van der Poel.
Tadej Pogacar durante o reconhecimento dos empedrados antes da Paris-Roubaix 2026
Ainda assim, essa narrativa vale pouco no seio da família. “Os jornalistas falam sempre em fazer história, mas, como pais, não pensamos assim”, explicou a mãe. “Para nós, é importante que ele desfrute do ciclismo. Que possa fazer o que ama. Se ganha ou não, para nós não é assim tão importante. Claro que é bom quando resulta, mas se não acontecer, ele volta a tentar da próxima vez.”
Uma corrida que impõe respeito
A
Paris-Roubaix distingue-se mesmo entre os Monumentos. Com mais de 50 quilómetros de paralelepípedos, altas velocidades e risco constante de quedas ou problemas mecânicos, é uma corrida onde até os mais fortes podem perder tudo num instante. Pogacar sentiu-o na pele em 2025, quando uma queda destruiu qualquer hipótese realista de vitória apesar da postura agressiva.
Essa realidade molda a visão dos pais. Para eles, a prioridade não é a meta no velódromo, o troféu ou a história que pode seguir-se. É simplesmente que ele lá chegue.
Um olhar diferente sobre Pogacar
A dimensão do sucesso de Pogacar transformou-o numa das figuras mais reconhecíveis da modalidade, mas os pais garantem que, fora da competição, pouco mudou.
“Como pessoa, ele não mudou. Continua gentil, calmo e educado, tal como o criámos”, dizem, orgulhosos, os pais de Pogacar. “Ele cederia o lugar a outra pessoa. Na vida, não na corrida.”
É um contraste que atravessa toda a sua perspetiva. Onde o exterior vê dominância e legado, eles veem a mesma pessoa que criaram, com prioridades que vão além dos resultados.
Presença, não pressão
O próprio Pogacar surge tranquilo à entrada da prova. Segundo os pais, não havia sinais de nervosismo quando o viram no hotel da equipa nos dias anteriores à partida. “Estava bem-disposto, calmo e com muita vontade.”
Para eles, estar presente é tão importante como a corrida em si. “É importante estarmos aqui, porque não vemos o Tadej muitas vezes. Ele quase não vem à Eslovénia.”
A Paris-Roubaix voltará a ser enquadrada pela rivalidade, pela história e pela busca da grandeza. Pogacar já mostrou que consegue igualar os melhores neste terreno e chega em forma após uma primavera dominante.
Mas, dentro da própria família, a fasquia mede-se de outra forma. Não pelo que ele possa alcançar, mas pelo que consiga ultrapassar.