“Estar no hotel com Van Aert, Vingegaard e tantos campeões faz mesmo pensar” - Jovens recrutas da Visma descrevem a vida na elite do ciclismo

Ciclismo
quarta-feira, 18 fevereiro 2026 a 10:00
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Para os jovens que chegam à Team Visma | Lease a Bike, o choque raramente é a carga de trabalho. É a proximidade.
Para Francesco Baruzzi e Fabio Segatta, ambos com 18 anos e recém-integrados na estrutura de desenvolvimento da equipa neerlandesa, as primeiras semanas trouxeram algo muito mais formativo do que watts ou quilómetros.
Deram por si a partilhar hotéis, estágios e conversas com ciclistas que até há pouco só viam na televisão.
“Faz-nos mesmo pensar”, admitiu Segatta em conversa com a Bici.Pro, refletindo sobre a vida dentro de um ambiente WorldTour que, de repente, parece muito próximo.

Proximidade sem intimidação

As reações de Baruzzi e Segatta ecoam um refrão familiar dentro da Visma neste inverno. Os ciclistas que sobem de nível têm falado repetidamente não de hierarquia ou distância, mas de acessibilidade.
“Estar no hotel com o Van Aert, o Vingegaard e tantos campeões faz-nos mesmo pensar”, disse Segatta. “É bonito. Mesmo falar com o Piganzoli e o Affini emociona. Eram ciclistas que até ontem via na televisão e agora são meus colegas”.
Baruzzi foi igualmente direto sobre o impacto dessa proximidade. “O Van Aert sempre foi o meu ídolo”, confessou. “Vê-lo e falar com ele não é coisa de todos os dias. É uma emoção e uma memória que vão ficar para sempre”.
Importa sublinhar que este deslumbramento não vem acompanhado de medo. Tal como outros jovens que falaram publicamente sobre os primeiros meses na Visma, nem Baruzzi nem Segatta descrevem um ambiente assente na intimidação. Pelo contrário, sublinham repetidamente a abertura.
“Há uma disponibilidade incrível de todos”, explicou Baruzzi. “Staff, diretores, colegas. O impacto de entrar numa equipa destas é enorme, mas toda a gente te ajuda”.

Um padrão conhecido na Visma

Estes comentários alinham-se com testemunhos semelhantes já ouvidos dentro da equipa esta época.
No início do inverno, Davide Piganzoli disse ter ficado surpreendido com o peso do diálogo no trabalho diário da Visma, enquanto Matthew Brennan descreveu ter sido apoiado na assunção de responsabilidades em vez de ser protegido delas. Mesmo ciclistas já estabelecidos no WorldTour destacaram a rapidez com que os recém-chegados se sentem parte da estrutura.
Para Baruzzi e Segatta, essa integração vai muito além da competição. De planos de viagens minuciosos a estágios na Noruega e em Espanha, descrevem estar a aprender o que significa ser profissional muito antes de se exigirem resultados.
“Dito assim soa banal, mas sabemos tudo”, disse Baruzzi. “Onde começamos a correr, quando viajamos e quando apanhar o avião. Até os bilhetes dos estágios chegam com dois meses de antecedência. Aprende-se muito, mesmo só a viajar sozinho pelos aeroportos”.
Segatta concorda. “Aprende-se imenso. Viajar sozinho também é, por vezes, divertido. Descobres lugares novos”.

Aprender o ofício antes de perseguir resultados

Ambos deixam claro que esta fase da carreira é sobre formação, não sucesso imediato.
“Estar aqui é um ponto de partida”, indicou Baruzzi. “Significa que talvez estejas um degrau acima, mas não quer dizer que não haja muito trabalho pela frente. Vamos ter as melhores condições para chegar onde sonhamos, que é o nível profissional”.
Segatta reforça essa perspetiva. “Estar aqui significa que a equipa acreditou mesmo em nós. Agora temos de aprender e crescer para que este trabalho resulte e um dia chegar ao WorldTour”.
Essa paciência reflete o que já se viu com outros prospetos da Visma. A mensagem é consistente: primeiro a exposição, depois a responsabilidade, e os resultados quando as bases estiverem consolidadas.

Estrelas como referência, não barreiras

Talvez o sinal mais claro dado por Baruzzi e Segatta seja a forma como os maiores nomes da Visma funcionam menos como metas distantes e mais como referências diárias.
“Têm sempre uma piada pronta”, contou Baruzzi sobre os mais experientes. “Se te veem um pouco sozinho, puxam-te para o grupo”.
Para adolescentes vindos das equipas júnior, essa dinâmica é decisiva. Transforma a experiência de uma observação silenciosa em aprendizagem ativa.
“É especial só vestir esta camisola”, acrescentou Segatta. “Mesmo ir para casa e treinar com ela, as pessoas reparam. Dá orgulho, mas também te faz perceber onde estás”.
Nesse sentido, Baruzzi e Segatta não são exceções. São as vozes mais recentes a confirmar um padrão que já definiu o caminho de desenvolvimento da Visma neste inverno. As estrelas estão presentes, visíveis e exigentes, mas nunca inalcançáveis.
E para ciclistas que estão apenas a iniciar o trajecto profissional, essa pode ser a lição mais importante de todas.
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