Tom Pidcock encontrou o equilíbrio certo entre confiança e cautela após
a vitória na Milão - Turim, sublinhando a forma e a imprevisibilidade que o aguardam na
Milan-Sanremo nos próximos dias.
Com um ataque tardio cronometrado na perfeição na subida à Superga, o britânico saiu de um final caótico e agressivo com o segundo triunfo da época. Mas, apesar do resultado, a sua leitura imediata apontou menos para domínio e mais para as margens mínimas que definem a corrida a este nível.
“Mostra que estou em boa forma, mas no ano passado também estava muito bem e caí ao pé da Cipressa”,
disse Pidcock em conversa com a Cycling Pro Net, recordando a sua experiência anterior na Milão–Sanremo e os riscos que ela traz.
Uma sensação estranha numa corrida que exigiu precisão
A vitória não nasceu de uma posição de controlo total. Pidcock admitiu que as sensações ao longo da prova estiveram longe de ser lineares, descrevendo um dia estranhamente difícil apesar do desfecho final. “Foi um dia esquisito. Quase pareceu a primeira corrida da época. Com o ritmo e as acelerações constantes, senti as pernas pesadas. Felizmente, no fim, tive a explosão certa e consegui aguentá-los”.
Os mesmos temas passaram pela entrevista em direto, onde sublinhou a dificuldade em ler o final, sobretudo ao lado de Primoz Roglic. “O Primoz é difícil de ler. Vai sempre sentado. Esperava que estivesse forte ali e hesitei em atacar perto do fim. Estavam todos com boas pernas, mas sabia que, a certa altura, tinha de ir”.
Da hesitação ao compromisso no momento decisivo
Na análise detalhada após a meta, Pidcock explicou como geriu as fases-chave, sobretudo quando Roglic acelerou pela primeira vez. “Ele atacou, e atacou com força. Obviamente, sabia que ainda faltava muito, por isso não queria entrar no vermelho”.
Depois descreveu o momento em que decidiu responder. “A cerca de 300 a 500 metros do topo, pensei que devia fechá-lo porque sabia que já não tinha colegas. Fechei o espaço e, assim que o fiz, pensei: ‘Ok, agora temos de tentar chegar à meta’”.
Esse esforço devolveu-o à luta, mas a corrida manteve-se imprevisível, sobretudo quando Adrien Boichis se isolou brevemente e baralhou o ritmo do grupo. “Fiquei um bocado nervoso quando o Boichis atacou. Achei que ia começar a puxar e praticamente deixar a roda. Estava toda a gente ali sozinha, tirando dois da EF, mas não trabalhavam juntos. Foi um cenário um pouco estranho”.
Quando o grupo reagrupou e acelerou rumo à última subida, o objetivo ficou claro. “Quando o grupo voltou e entrámos muito rápidos na subida, soube que estávamos a disputar a vitória”.
Segue-se a Milan-Sanremo com a Cipressa no horizonte
Com a
Milão - Turim assegurada, as atenções viram-se agora rapidamente para a Milan-Sanremo, onde Pidcock volta a ser apontado como um dos principais candidatos.
Apesar da forma atual, foi rápido a sublinhar a incerteza numa corrida definida por posicionamento, timing e risco. “Não, acho que a Milan-Sanremo é muito diferente. É muito explosiva. Claro que mostra que estou em boa forma, mas estar em boa forma não significa tudo”, disse em conversa com a Cycling Pro Net.
Recordando a experiência anterior, voltou a destacar como tudo pode mudar num instante. “Pode acontecer de tudo. É uma das minhas corridas favoritas e espero estar na frente. Sabemos o que vai acontecer na Cipressa, por isso faremos o nosso melhor”.
Para já, a forma está lá e a confiança cresce. Mas, como o próprio Pidcock deixou claro, a Milan-Sanremo não se decide só nas pernas, e a margem entre controlo e caos mantém-se tão fina como sempre nas estradas da Cipressa e do Poggio.