“Imaginem que vão na frente e outro corredor vos empurra para o campo...“: Kevin Vauquelin furioso, depois de ser afastado da luta pelo Paris-Nice

Ciclismo
quinta-feira, 12 março 2026 a 13:00
Collage_BORAKevinVauquelin
A 4ª etapa do Paris-Nice ficará na memória de muitos no pelotão, adeptos e corredores. O mau tempo brutal, a importância dos ciclistas que caíram, a roupa de Jonas Vingegaard… Houve dezenas de histórias a sair da jornada. Olhamos para as de Iván Romeo, Daniel Martínez, Kévin Vauquelin e do diretor desportivo da Red Bull - BORA - hansgrohe, Sven Vanthourenhout.
O momento mais marcante do dia foi, talvez, a queda de Juan Ayuso. O espanhol liderava a corrida e caiu a alta velocidade numa zona aparentemente normal de estrada, fora do alcance das câmaras de TV. Vários corredores da frente envolveram-se na queda e abandonaram. Brandon McNulty, Torstein Traeen e a dupla da Movistar Raul García Pierna e Pablo Castrillo entre eles…
Para a Movistar foi um autêntico desastre. A equipa espanhola tinha colocado todos os seus homens-chave no grupo da frente e viu-os cair todos de uma vez. Romeo era um corredor perfeitamente talhado para as condições na estrada, mas caiu no asfalto encharcado pela chuva. “Um caiu e fomos todos atrás dele. Foi mesmo duro…”
“Foi uma queda mesmo, mesmo feia, para ser honesto. Assustou. Ainda bem que não passou na TV, porque teria sido difícil de ver em casa”, disse Romeo ao CyclingPro.net. “Deve ter havido qualquer coisa na estrada, porque depois outros no grupo caíram no mesmo sítio. Era uma reta, nem sequer uma curva”.
Romeo ficou atónito com a queda mas, como disse Edoardo Affini, da Visma, aconteceu a alta velocidade e com grandes consequências. A equipa espanhola não acreditava no que via, à medida que a realização mostrava, um a um, todos os seus corredores do grupo da frente envolvidos.
“Parámos bastante tempo depois. Só esperava que não houvesse nada na estrada que nos tivesse travado. As lesões estão bem, nada de muito sério. Os meus colegas também estão bem. Nada partido”. Contudo, a geral ficou comprometida, dois colegas foram forçados a abandonar e não há garantias de que o campeão nacional de Espanha recupere a tempo de lutar por resultados nesta corrida.

Vauquelin para lá de irritado

Kévin Vauquelin foi sexto na etapa, um desempenho sólido que o mantém na luta pelo pódio final, mas foi talvez um dos corredores mais zangados na meta, em Uchon. Foi um dos que falhou a primeira divisão nos quilómetros iniciais. Mas não por má colocação.
“Imaginem que vão na frente e outro corredor vos empurra para o campo, e de repente acabam no fundo do pelotão porque os cortes começam logo ali”, partilhou numa story de Instagram em tom semi-irónico. “Não, estou a brincar… mas imaginem na mesma (Corredor da Soudal)”.
Vauquelin não revelou o nome do corredor, caso o saiba, mas estava visivelmente furioso com o que se passou. Foi um dia infernal para o camisola branca, que começou em segundo na geral, e para a INEOS no global.
A equipa britânica tinha Oscar Onley no grupo da frente com vários colegas, e não esperou por Vauquelin, já que o trepador escocês tinha boas hipóteses por si só. Contudo, não só caiu, como sofreu uma avaria num momento-chave, quebrando nos quilómetros finais.
Vauquelin e alguns corredores do pelotão perseguidor passaram a alta velocidade pelo grupo de Onley já perto do final, mas, como se viu na TV, o francês estava isolado e foi obrigado a trabalhar antes mesmo da parte montanhosa. Na subida final exibiu pernas de nível, mas já seguia a minutos dos primeiros.
Kévin Vauquelin
No fim da etapa, as imagens de TV mostraram um Vauquelin visivelmente irritado a gesticular para uma carrinha da INEOS Grenadiers, após horas de esforço. O francês estava certamente exasperado com as várias contrariedades que ele e a equipa sofreram num dia de autêntico inferno.

BORA de classe mundial num dia brutal

Quem chegou mais satisfeito à meta terá sido a Red Bull - BORA - Hansgrohe, que dominou os abanicos nas duas fases decisivas. Teve superioridade numérica nos quilómetros finais e levou Daniel Martínez, e também Jonas Vingegaard, para longe da concorrência.
Mas o colombiano admitiu que nada lhe restou na subida final para tentar igualar Vingegaard. “Desde o quilómetro zero foi muito duro, com vento cruzado, tentámos estar na frente todo o dia. Acho que a equipa fez um trabalho fantástico. No fim, estava a ficar sem energia”, admitiu ao CyclingPro.net.
Red Bull - BORA - hansgrohe a comandar durante a etapa 4 da Paris-Nice 2026
Não fosse Jonas Vingegaard, a Red Bull - BORA - hansgrohe teria assinado uma das exibições mais dominantes do século
O diretor desportivo Sven Vanthourenhout explicou que a equipa estava preparada para todos os cenários num dia com previsão de espetáculo. “Era este o plano? É fácil dizer ‘sim’ agora, mas já de manhã tinha dito que esperávamos guerra. Depois há duas opções: ver ou fazê-la”, partilhou com a Sporza.
Nico Denz, Callum Thornley e os gémeos van Dijke fizeram um trabalho perfeito para a equipa, garantindo virtualmente o segundo lugar de Daniel Martínez na geral. Apesar da superioridade, o belga não acredita que houvesse mais a fazer no final contra o novo camisola amarela, Vingegaard.
“Quando começas a última subida com ele ali, sabes que vai ser muito difícil, mesmo sem sabermos como se sentia depois de um dia caótico. Devíamos ter jogado mais taticamente? Bem, depois de um dia com sensação térmica a rondar os três graus, não havia muitas opções. O segundo lugar já estava assegurado, ganhar teria sido um sonho”.
Com quatro dias e algumas etapas difíceis pela frente, Vanthourenhout estava, porém, mais preocupado em ter os corredores disponíveis para trabalhar de novo nos dias seguintes: “Mas é provável que o acordar amanhã não seja agradável. Vão pensar: uau, passámos por um campo de batalha”.
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