“Isto é inaceitável” - 54 corredores, incluindo Pogacar e Evenepoel, sob investigação após passagem de nível na Volta à Flandres

Ciclismo
quarta-feira, 08 abril 2026 a 14:00
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A Volta à Flandres de 2026 deixou o exemplo mais recente de um pelotão a atravessar uma passagem de nível já com as luzes vermelhas ligadas.
Foi um dos momentos mais caóticos e controversos da corrida, ainda que, em última análise, não pareça ter influenciado o desfecho final. Isso, porém, é irrelevante para o departamento judicial da Flandres Oriental, que poderá aplicar sanções severas aos 54 corredores que a cruzaram ilegalmente — entre eles Tadej Pogacar e Remco Evenepoel.
O incidente ocorreu cedo na corrida, com as luzes vermelhas a acenderem-se quando o pelotão já avistava a passagem. Cerca de um terço do grupo passou, enquanto dois terços travaram. Numa estrada plana, porém, a velocidade era elevada e ambas as decisões implicavam risco para quem seguia no meio do pelotão.
Os que atravessaram poderão ser identificados pelos localizadores nas bicicletas, incluindo o vencedor da prova, Tadej Pogacar. Uma desclassificação em massa teria sido, sem dúvida, explosiva, e os comissários acabaram por não aplicar sanções aos corredores.
A passagem foi ilegal e configura uma infração de quarto grau segundo o código rodoviário belga. A procuradoria foi taxativa ao afirmar que o caso não passará impune: “Os riscos para os ciclistas e para terceiros são significativos. Tais infrações serão, portanto, tratadas com rigor. Isto é inaceitável, mesmo num contexto desportivo.”

Atravessar ou arriscar provocar uma queda?

Em corrida, contudo, os ciclistas interpretam muitas vezes o momento de outra forma.
“Não há má-fé. Não é por os ciclistas quererem quebrar as regras. Abordam essas passagens a cerca de 55 quilómetros por hora em pelotão. Os da frente podem perceber o que está a acontecer, mas os de trás olham para a roda da frente. Nem todos se apercebem imediatamente de que o semáforo ficou vermelho”, defendeu o ex-profissional Sep Vanmarcke em declarações ao Wielerflits.
O belga ofereceu a perspetiva do corredor, mas é pouco provável que isso influencie a decisão do tribunal. Nas próximas semanas, esperam-se novos desenvolvimentos da investigação.
“Se os da frente começam a travar, tens de decidir no instante ‘piso a fundo o travão e arrisco provocar uma queda atrás de mim, ou sigo?’ A segurança faz sempre parte desse cálculo.”
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