Pode ainda não vestir a camisola amarela, mas ninguém tem dúvidas sobre quem tem sido o melhor a subir na edição de 2025 da Volta à Suíça. Pela terceira etapa consecutiva, João Almeida atacou com autoridade e confirmou ser o mais forte trepador da corrida, terminando a 5ª etapa no 2º lugar, apenas batido por Oscar Onley no sprint final.
O desempenho do português da UAE Team Emirates - XRG assume contornos ainda mais impressionantes tendo em conta a complicada etapa inaugural, da qual saiu com mais de três minutos de desvantagem. Poucos vaticinavam então uma recuperação possível. No entanto, Almeida respondeu com classe e consistência, e à chegada da sexta etapa já é 3º da geral, a escassos 39 segundos do novo líder, Kevin Vauquelin.
"Hoje é definitivamente mais possível do que ontem. Por isso, sim, damos o nosso melhor. Não me estava a sentir muito bem hoje, não estava a 100%, mas é o que é", afirmou Almeida, com a habitual honestidade, na sua entrevista pós-etapa à Cycling Pro Net. "Eu estava apenas a gerir o que tinha. Sabem, não podia ir mais rápido do que isso, por isso mantive o meu ritmo. No final, estive muito perto de ganhar a etapa, mas sim, o Oscar também mereceu".
Apesar da exibição sólida, Almeida reconheceu ter cometido um erro técnico que poderá ter custado a vitória. "Na verdade, acho que cometi um erro", admitiu. "Estava a usar o prato pequeno, penso eu. Acelerei um pouco, a 20 metros do fim, ele passou-me e depois eu estava a recuperar. Mas sim, a linha de meta estava logo ali, e é o que é. Estamos perto. Por isso, sim, temos de continuar a lutar".
Com mais uma etapa de montanha e uma cronoescalda decisiva no encerramento da prova, Almeida reforça o seu estatuto de principal candidato à vitória final. Se confirmar a forma que tem demonstrado nas montanhas e manter a frieza nos momentos chave, o português pode assinar um dos maiores "comebacks" da temporada, após a decepção inicial. A corrida está mais viva do que nunca.
Miguel Marques é editor e redator do CiclismoAtual, onde cobre o ciclismo profissional internacional com forte foco em análise competitiva, estratégia de corrida e o calendário do UCI WorldTour. Desde que se juntou à plataforma em novembro de 2024, escreveu milhares de artigos, contribuindo com antevisões diárias das corridas, resumos pós-etapa, análises táticas e análises aprofundadas das equipas e ciclistas do pelotão profissional.
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Miguel é licenciado em Ciência e Tecnologia Animal e está atualmente a concluir um mestrado em Engenharia Zootécnica. A sua formação académica em metodologia científica e análise crítica influencia uma abordagem estruturada e baseada em evidências ao jornalismo desportivo, com forte ênfase na verificação de fontes e precisão factual.
O seu envolvimento com o ciclismo começou em 2014, durante a vitória de Vincenzo Nibali no Tour de France, o que despertou um interesse sustentado e profundo pelo desporto. Desde então, tem acompanhado de perto a evolução das equipas, dos ciclistas e dos desenvolvimentos táticos nas competições do WorldTour e de nível de desenvolvimento, construindo uma experiência consistente na dinâmica do ciclismo profissional moderno.
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