Paris-Roubaix raramente oferece portas de entrada suaves e, para uma equipa de primeiro ano como a Modern Adventure Pro Cycling, nunca haveria um caminho fácil para uma das corridas mais exigentes do ciclismo. Ainda assim, apesar de uma série de contratempos iniciais e de uma prova que rapidamente lhes fugiu ao controlo, o novo projeto norte-americano de
George Hincapie deixou o norte de França com algo bem mais valioso do que um resultado de manchete.
Em declarações no podcast The Move, Hincapie refletiu sobre uma estreia que levou cinco dos sete corredores da equipa ao velódromo de Roubaix. “Provámos que merecíamos o convite”, disse George Hincapie.
Em termos frios, os números são modestos. Ben Oliver foi o melhor da equipa, em 47.º, a pouco mais de oito minutos do vencedor Wout van Aert, que bateu Tadej Pogacar num sprint a dois após um dia brutal no empedrado. Atrás, Cole Kessler, Mark Stewart e Robin Carpenter concluíram no mesmo grupo, com Ezra Caudell também a chegar à meta.
Riley Pickrell e Sean Christian não terminaram.
Mas a história da corrida da Modern Adventure vai muito além da folha de resultados.
Golpes iniciais moldam a corrida
As ambições da equipa ficaram claras desde o tiro de partida. Em vez de correr à defesa, a Modern Adventure procurou colocar homens na fuga inicial, movimento que poderia ter transformado toda a sua corrida. Quando essa oportunidade escapou, o dia passou rapidamente a ser de sobrevivência e adaptação. “Fomos muito agressivos no início, tentando entrar na fuga, infelizmente não aconteceu”, explicou Hincapie.
Esse revés inicial foi seguido por um golpe mais pesado. “Perdemos o Riley Pickrell cedo devido a uma queda e depois vieram alguns problemas mecânicos”, acrescentou, retirando uma das principais esperanças da equipa para um bom resultado e forçando uma mudança de plano. “Houve todo o tipo de emoções.”
A partir daí, a corrida deixou de ser uma perseguição por lugares e passou a ser a navegação do caos de Roubaix com um grupo jovem e relativamente inexperiente. Nesse contexto, simplesmente chegar ao fim torna-se uma medida de desempenho bem mais significativa. “Tivemos 5 em 7 a terminar, o que é enorme para nós”, disse Hincapie.
George Hincapie antes da Paris-Roubaix 2026
Uma equipa jovem a aprender depressa
Esse sentimento de progressão não se limitou ao resultado em si. Para muitos dentro da equipa,
Paris-Roubaix foi a primeira exposição real aos extremos do alto nível, e a resposta foi imediata.
“Os mais novos disseram logo ‘Adorei isto, quero voltar’”, contou Hincapie. “Acabam a corrida de hoje e querem voltar, querem melhorar. Em particular para os jovens, foi excelente de ver.”
É essa reação que melhor traduz onde está atualmente a Modern Adventure. Não é uma equipa construída para resultados imediatos na frente das Monumentos. É um projeto ainda em fase inicial, onde a experiência acumulada em corridas como Roubaix vale tanto como qualquer classificação.
Isso ficou evidente na exibição de Ben Oliver, que passou grande parte do dia em luta com nomes mais estabelecidos antes de fechar pouco fora do top 40.
“Tenho de lembrar toda a gente que esta é a 5.ª corrida do Ben Oliver na Europa. No ano passado corria criteriums”, disse Hincapie. “Vê-lo lá na frente a batalhar por um top 30 em Paris-Roubaix foi super divertido de ver. Estou muito orgulhoso dos rapazes.”
Aproveitar um arranque rápido de 2026
A estreia em Roubaix encaixa também num padrão mais amplo deste início de época para a Modern Adventure. As primeiras provas no AlUla Tour já deixaram sinais de promessa, com um pódio em etapa e uma boa geral a indicarem uma equipa capaz de competir e não apenas participar.
Esse embalo inicial já se traduziu em oportunidades ao mais alto nível, incluindo uma presença no WorldTour na Volta à Catalunha. Foi mais um salto de exigência e trouxe experiência adicional para um plantel ainda em fase de crescimento.
Nesse prisma, Roubaix importa menos pela classificação final e mais pela validação. Uma equipa jovem, a correr sem o seu homem-chave durante grande parte da prova, conseguiu ainda assim levar a maioria do bloco até ao final de um dos eventos mais duros do ciclismo.
Para Hincapie, agora a gerir a corrida a partir do carro da equipa e não do empedrado que em tempos dominou, a experiência trouxe também uma nova perspetiva. “Há imenso planeamento que entra nesta corrida”, disse. “Não é como nenhuma outra no calendário.”
Haverá outros testes no resto da temporada, mas, depois de resistir a Paris-Roubaix com resiliência e intenção, a Modern Adventure já mostrou que não está apenas de passagem pelo pelotão profissional.