A 18ª etapa da
Volta a Itália estava, à partida, destinada à fuga, como o próprio vencedor
Paul Magnier admitiu. A
Soudal - Quick-Step, porém, acabou por
assinar o triunfo depois de um alinhamento perfeito para os seus dois principais corredores, que executaram o sprint final com precisão cirúrgica.
Das expectativas de fuga a um sprint a toda a velocidade
“Sinceramente, não esperava que acontecesse hoje, por isso torna tudo ainda mais bonito. Posso realmente agradecer à equipa pela confiança”, disse Magnier na entrevista pós-corrida. Magnier e a Quick-Step acreditavam que a fuga teria sucesso num dia maioritariamente plano, mas com a ascensão média de 11% ao Muro di ca'del Poggio já dentro dos derradeiros 10 quilómetros. Uma etapa que poucas equipas se atreveram a controlar, tendo em conta o elevado risco de ficarem a zeros no final.
O ritmo foi alto e o maglia bianca Afonso Eulálio atacou por duas vezes, tentando abrir diferenças face ao pelotão dos candidatos à geral que se fracionara. Magnier seguia num grupo mais numeroso atrás, que apenas voltou a contactar com a dianteira a 3,5 quilómetros da meta, e só mais perto da linha conseguiram caçar Eulálio e Johannes Kulset.
No sprint final, o francês conquistou a terceira vitória nesta edição e somou os 50 pontos que o recolocam na maglia ciclamino, com um total que será agora extremamente difícil de igualar por Jhonatan Narváez. “Vou saborear estas três vitórias, e já tive a camisola rosa e a Ciclamino durante muitos dias. Era algo que não esperava antes deste Giro e estou super orgulhoso de estar aqui agora”.
Jasper Stuyven foi a chave do sucesso da Quick-Step
Um sprinter nada é sem o seu lançador, diz-se muitas vezes, e a chegada de hoje a Pieve di Soligo encaixou na perfeição nessa máxima. O último quilómetro foi muito técnico e a estrada até estava molhada nos metros finais. Quase não havia espaço para ultrapassagens e Magnier venceu graças a um lançamento estupendo de
Jasper Stuyven.
Depois de brilhar nas clássicas do empedrado, o veterano tem sido absolutamente decisivo para o sucesso de Magnier na Corsa Rosa. Após a etapa, Stuyven disse à Eurosport: “Não creio que esse fosse o plano quando partimos esta manhã, mas às vezes as coisas saem assim”.
O belga ainda tentou entrar na fuga, mas acabou por regressar ao seu papel habitual. “O Paul sofreu muito nos últimos dias. Mas talvez o facto de hoje não haver pressão nos tenha ajudado. Quando as equipas começaram a controlar, falámos com ele e dissemos para se manter focado, porque hoje ainda podia ser o seu dia. Ele fez essa mudança de chip muito bem”.
No desfecho, o seu forte sentido de colocação e a potência pura bastaram para colocar Magnier na posição ideal para vencer a etapa. “Tínhamos de o levar bem colocado à última curva, se ele lá estivesse. Era em descida e ligeiramente para a esquerda. Acho que houve muito caos, mas encontrámo-nos no momento certo, e foi por isso que tudo funcionou tão bem”, concluiu.