A penúltima etapa da
Volta a Itália está concluída, com
Jonas Vingegaard novamente dominante, terminando com mais de um minuto de vantagem sobre
Felix Gall, Jai Hindley e Derek Gee para somar a quinta vitória de etapa. Atrás da luta pelo triunfo, uma das revelações da corrida,
Afonso Eulálio, defendeu com sucesso a camisola branca. A sua liderança esteve ameaçada pelo colega de equipa de Vingegaard, Davide Piganzoli, mas o italiano não teve pernas para distanciar Eulálio. Em vez disso, o português atacou, deixou Piganzoli para trás e fechou em sétimo na etapa.
Superar as dúvidas nas montanhas finais
Questionado se haveria muito mais a fazer num dia tão exigente, Eulálio reconheceu o nível altíssimo da concorrência numa
entrevista pós-etapa. “Não, não podia fazer muito mais e é isso. Hoje acho que no final foi uma luta, uma boa luta. Uma luta com gente muito forte, não há nada a fazer, certo?”
Eulálio admitiu ainda que lutou com a confiança na noite anterior à etapa, após um dia difícil na bicicleta.
“Claro que não entrei muito motivado depois de ontem, foi um dia muito, muito duro. É uma das etapas mais difíceis de sempre. E sim, é como estou a dizer, não entrei muito confiante, mas todas as pessoas que me rodeiam disseram sempre: ‘Tu consegues, tu consegues’, e acho que [a força] veio daí”.
Um fator determinante para o sucesso de Eulálio foi o apoio do veterano colega Damiano Caruso, que o guiou pela última passagem de montanha. Eulálio explicou que esse apoio faz parte de um trabalho de equipa de longo prazo.
“Sim, vejam como o Caruso me ajuda. Não só hoje, vem das três semanas na Volta a Itália, e das três semanas antes da Volta. Isto não é só de agora, é de todo o trabalho que fizemos antes do Giro também. E é por causa de toda a gente à minha volta, pela forma como acreditam em mim. Acreditam mais em mim do que eu próprio. Toda a gente me diz: ‘Olha, Afonso, tu consegues. Estás melhor do que os outros, estás a recuperar dia após dia, os outros estão a ceder.’ E toda a gente à minha volta faz-me acreditar mais”.
A revelação da corrida confessou que só percebeu que a camisola branca estava realmente assegurada durante a subida final do dia, após uma conversa direta com Caruso.
“Olha, só na última subida. Tinha dito ao Damiano Caruso antes da subida que, se ele estivesse melhor do que eu, podia ir, que eu não ia ter um bom dia. E ele disse-me logo que ficava comigo até ao fim, acontecesse o que acontecesse, e isso deu-me muita confiança”.
Afonso Eulálio na Volta a Itália 2026
Um Giro que muda a vida
Tendo vestido a maglia rosa e a maglia bianca ao longo destas três semanas, Eulálio refletiu sobre o quanto a sua vida mudou e como superou largamente as expectativas iniciais. “Olha, nunca vou esquecer este Giro. Aconteça o que acontecer, vai ficar na minha memória para sempre. É impossível esquecer este Giro que vivi”.
“Olha, houve momentos em que pensei que terminar no top 10 já era algo de outro mundo. E a verdade é que acabar no top 10 numa Volta a Itália é muito, muito duro, certo? Não é algo que se faça com facilidade. Fiquei em sexto, com a maglia bianca, vesti a rosa… e não sei, não sei o que dizer. Nunca vou esquecer este Giro, nunca”.