"Os meus números superavam os de quando ainda corria" - Porque Domenico Pozzovivo regressou ao ciclismo profissional aos 43 anos e como vai traçar o seu próprio caminho

Ciclismo
terça-feira, 21 abril 2026 a 14:00
Tour dos Alpes 2026_Domenico Pozzovivo
Quando pensamos em longevidade no ciclismo profissional, é fácil associar nomes como Alejandro Valverde ou o malogrado Davide Rebellin. Porém, há vários outros que continuaram ao mais alto nível pelos 40 e até depois da retirada. Domenico Pozzovivo é um desses casos, a regressar um ano e meio após ter anunciado que pendurava a bicicleta, e a fazê-lo de forma muito singular.
O italiano revela numa entrevista ao Domestique que o seu regresso ao mundo do ciclismo foi fortemente motivado pelo compatriota Alex Schwazer, antigo campeão olímpico na marcha, mas também utilizador de doping e cliente de Michele Ferrari, a quem começou a treinar depois de se retirar. Pozzovivo abraçou o treino como uma das formas de se manter ativo na modalidade.
“Mesmo antes de anunciar o meu regresso, mostrava-lhe muitas vezes os meus treinos para o motivar. E foi ele quem me disse: ‘já que eu tentei voltar, porque não tentas tu também?’ Podemos parecer dois malucos, mas no fim pode sair daqui algo interessante”, afirmou esta segunda-feira em Innsbruck, onde regressou oficialmente ao pelotão com as cores da Solution Tech NIPPO Rali.
Em 2022, 2023 e 2024 continuou a competir, mas sem exceção só encontrou contratos a partir de fevereiro. Isso evidenciou a vontade de continuar, apesar das probabilidades num pelotão onde os jovens talentos são frequentemente prioridade. O veterano seguiu em prova, mas decidiu terminar a carreira em seus termos no final de 2024.

Um Pozzovivo mais forte?

Mas isso não significou largar a bicicleta. Pelo contrário: não só continuou, como também evoluiu. “Mantive-me sempre a treinar e os meus níveis de rendimento permaneceram muito altos. Em certos aspetos, os meus números até superavam os de quando ainda corria, por isso disse para mim próprio: porque não?”
Fá-lo, porém, de forma completamente diferente. Além de treinador, está a estudar nutrição e combina tudo com comentários ocasionais na Suíça. Um pacote completo. Pode dizer-se que Pozzovivo é um ciclista profissional a tempo parcial, mas com motivação suficiente para que os obstáculos não o travem.
“O que estudei no último ano e meio contribuiu certamente. Tenho a gestão do peso sob controlo, porque antes era talvez uma obsessão que me levava a cometer erros que, no fim, prejudicavam o meu desempenho no treino e em corrida”.
Para além da nutrição, mudou também a abordagem ao treino, equilibrando melhor a vida, uma condição essencial para regressar: “Além disso, estou a conseguir fazer menos quantidade e mais qualidade no treino. Antes fazia altitude a mais e demasiados estágios, estava sempre fora de casa. Agora, por estar naturalmente mais tempo com a família, percebi que não era necessário fazer todos esses estágios em altitude. Ao parar, percebi que talvez existisse um meio-termo”.
Tour dos Alpes 2026_Domenico Pozzovivo
Domenico Pozzovivo na partida da Volta aos Alpes 2026

Correr, comentar a Volta a França e mais

Pozzovivo está, assim, numa posição única e, pela sua história, prestígio e qualidade em cima da bicicleta, chegou a somar vários KOM nos Alpes após retirar-se, encontrou a parceria ideal numa ProTeam italiana. A equipa garante um calendário de alto nível, protegendo-o ao mesmo tempo das exigências extremas e da pressão do World Tour.
“Quero encontrar um equilíbrio entre a vida familiar e as experiências que estou a ganhar, como a de comentar corridas. Estou curioso para ver se a forma que tenho agora me permite voltar a competir em alto nível apesar da idade, que normalmente joga contra”.
A Volta aos Alpes, prova que venceu em 2012 quando ainda se chamava Giro del Trentino, é o seu campo de testes: “Acima de tudo, quero testar-me. Tenho certamente algumas dúvidas sobre a capacidade de aguentar logo cinco dias duros porque ainda não corri este ano, enquanto os outros já vêm mais feitos. Mas vamos dia a dia, quem sabe se começamos a andar bem quando houver final em alto na segunda etapa”.
Não será, porém, uma aparição isolada. Pozzovivo continuará a competir depois, com os Campeonatos de Itália no horizonte, e mira também o extenso calendário italiano de outono, com várias corridas à sua medida. “Veremos em junho, mas talvez faça uma corrida por etapas para preparar os campeonatos de Itália. E agosto e setembro serão certamente intensos em termos de competição”.
E poderá preparar essa fase em França, ao reconhecer etapas para transmissão televisiva, o seu próprio estágio privado. “Aí terei de abrandar um pouco (em julho), porque estarei na Volta a França como comentador. Mas vou fazer recons das etapas, portanto ainda vou conseguir treinar…”
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