“Parece que alguém está a proteger o Mathieu” A Visma fala da rivalidade Van Aert–Van der Poel

Ciclismo
terça-feira, 10 fevereiro 2026 a 20:00
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Para a Team Visma | Lease a Bike, a rivalidade entre Wout van Aert e Mathieu van der Poel nunca foi uma questão de talento. Foi moldada pelo tempo, pelas circunstâncias e por uma sensação crescente de que a sorte tem pendido repetidamente para o mesmo lado.
Essa frustração veio a público esta semana nas palavras do diretor-desportivo da Visma, Robert Wagner, em declarações à Radsport News. “Às vezes parece que alguém protege o Mathieu e nada lhe acontece”, disse Wagner, refletindo sobre quantas vezes os maiores objetivos de Van Aert foram perturbados enquanto o seu rival de longa data evitou contratempos semelhantes.

Uma rivalidade moldada tanto pelo azar como pela forma

A observação surge numa época já marcada por contratempos para Van Aert. O seu inverno descarrilou com a fratura do tornozelo sofrida na Zilvermeercross, em Mol, lesão que exigiu cirurgia e encerrou abruptamente a sua campanha de ciclocrosse. Embora a recuperação tenha evoluído rápido o suficiente para manter as Clássicas da Primavera bem presentes no horizonte, acrescentou mais uma complicação a uma preparação que raramente decorre sem percalços.
O padrão tornou-se familiar. Nas últimas temporadas, Van Aert tem lidado com quedas, doenças e lesões em momentos desajustados, chegando muitas vezes às grandes provas do empedrado a gerir limitações em vez de apresentar uma preparação contínua.
Wagner não apresentou isto como desculpa, mas como uma realidade que tem definido cada vez mais o lado da Visma nesta rivalidade. “E depois, por outro lado, parece que somos sempre nós os atingidos em cheio”, acrescentou, sublinhando o contraste entre os percursos interrompidos de Van Aert e a capacidade repetida de Van der Poel para chegar aos momentos-chave com a dinâmica intacta.

Confiança mantida apesar de mais um contratempo

Apesar da mais recente lesão, a Visma mantém a convicção de que Van Aert estará pronto quando mais importa. Wagner confirmou que o belga pôde participar plenamente no estágio da equipa, mesmo ainda em fase de reabilitação após a cirurgia.
“O Wout continua na fase de reabilitação e tem um parafuso no tornozelo”, explicou Wagner. “Mas foi bem tratado e pôde participar totalmente no estágio. Está atualmente em altitude.”
O facto de Van Aert ter regressado rapidamente à bicicleta após a queda e de ter conseguido completar treinos longos durante o estágio em Espanha tranquilizou a equipa de que as bases para as Clássicas permanecem intactas, ainda que novamente postas à prova.
“O Wout é um verdadeiro profissional”, disse Wagner. “Tem um fisioterapeuta e a sua equipa à volta dele, na Bélgica. Está a ser feito tudo para que esteja em forma e se mantenha em forma.”

O confronto primaveril de sempre

As Clássicas da Primavera voltarão a reunir as figuras que marcam a modalidade. Van der Poel, Van Aert e Tadej Pogacar devem alinhar, com Pogacar a apontar abertamente à Paris-Roubaix.
“Se tudo correr bem, o Wout vai arrancar o Tour des Flandres e sobretudo a Paris-Roubaix em boa forma”, disse Wagner. “Espero o mesmo do Mathieu. E não podemos, de forma alguma, esquecer o Tadej Pogacar.”
Mesmo enquanto a Visma olha em frente, persiste a sensação de que a batalha de Van Aert nunca é apenas contra os rivais, mas também contra as circunstâncias.
“Se isto se resumir a um duelo entre titãs”, concluiu Wagner, “então espero que as cartas, finalmente, caiam a nosso favor e que o Wout vença Roubaix ou Flandres. Seria fantástico.”
É um sentimento que capta na perfeição a posição da Visma. Van Aert nunca careceu da capacidade para igualar Van der Poel. O que lhe tem faltado, repetidamente, é a sequência limpa que permita decidir a rivalidade em pé de igualdade.
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