“Pode bater qualquer um num bom dia” - Marcel Kittel, peça‑chave no ressurgimento de Dylan Groenewegen

Ciclismo
sexta-feira, 27 março 2026 a 12:00
TourOfBruges_DylanGroenewegen
O regresso de Marcel Kittel ao ciclismo profissional não foi na bicicleta, mas no carro da equipa. O alemão, um dos grandes sprinters da sua geração, iniciou um novo capítulo como treinador no projeto Unibet Rose Rockets, a trabalhar de perto com Dylan Groenewegen. Uma colaboração que, para já, está a dar frutos após o forte arranque de época do neerlandês.
Kittel, que se retirou no final de 2019 após uma carreira repleta de êxitos, optou por afastar-se totalmente do ciclismo. Hoje com 37 anos, somou um palmarés de destaque com 14 vitórias em etapas na Volta a França, quatro na Volta a Itália e cinco triunfos na Scheldeprijs, números que o colocam entre os grandes sprinters.
Depois de terminar a carreira, centrou-se na vida pessoal e manteve-se longe do ambiente competitivo. Como explica, precisava de distância antes de ponderar qualquer regresso. Nesse período recebeu propostas para integrar equipas, mas não sentiu que fosse o momento certo.
“Foi uma decisão consciente”, explica Kittel. “Quis desaparecer do desporto por um tempo. Sempre disse que não me via a trabalhar como treinador ou diretor desportivo. A minha prioridade era a família e aproveitar a vida após a carreira. Precisava de distância antes de pensar em voltar. Recebi várias ofertas para regressar a equipas, mas estava noutra fase da minha vida”.

Um novo projeto e um pelotão diferente

O contacto com a Unibet Rose Rockets não é novo. Houve uma primeira abordagem há três anos, quando a estrutura ainda não tinha um sprinter de topo. Contudo, o contexto atual abriu a porta à sua chegada.
Kittel sublinha que o ciclismo evoluiu de forma evidente nos últimos anos, com mais especialistas e uma preparação mais científica. Ainda assim, nota que a essência do desporto permanece: a capacidade física e a força mental continuam decisivas.
“Este é um momento melhor”, diz. “Muita coisa mudou no ciclismo. Há mais especialistas, mais ciência aplicada, e isso permite-nos compreender melhor os ciclistas e prepará-los melhor. Mas no fim continuam a pedalar bicicletas de duas rodas. É preciso ser forte fisicamente, mas também mentalmente”.

Uma função focada no mental e no estratégico

Longe das funções tradicionais de treinador, o alemão encontrou o seu nicho na preparação específica dos finais ao sprint. O trabalho centra-se em liderar reuniões, manter contacto próximo com os corredores e ajudá-los a gerir situações dentro e fora da competição.
Kittel acredita que a experiência como ex-profissional lhe permite entender as necessidades dos ciclistas por outro prisma, especialmente no plano mental, onde sente poder acrescentar verdadeiro valor.
“O que mais gosto é preparar cada corrida com sprints, liderar as reuniões, estar em contacto com os ciclistas e ouvir que problemas têm e como posso ajudar,” afirma. “Era isso que sentia faltar-me como ex-profissional que viveu muito dentro do ciclismo”.

A ligação com Groenewegen

Um elemento-chave desta colaboração é a relação prévia de Kittel com Groenewegen. Os dois cruzaram-se na Volta a França de 2017, onde o alemão somou cinco vitórias e o neerlandês inaugurou o seu registo nos Champs-Élysées.
Para Kittel, o talento e a velocidade de Groenewegen nunca estiveram em causa. Na sua perspetiva, a diferença face à época passada está em combinar essas qualidades com maior solidez mental e o ambiente certo dentro da equipa.
“O talento e a velocidade dele sempre lá estiveram”, firma. “Se juntarmos isso à sua força mental e à nova equipa, temos a fórmula do sucesso”.
Kittel realça também a ambição do sprinter neerlandês, uma motivação que o alimenta neste novo papel. Destaca a atmosfera particular da equipa, que mantém identidade distinta das origens enquanto projeto ligado a conteúdos digitais.
“A motivação do Dylan é muito alta. Continua a ser um vencedor nato e quer ganhar. A sua ambição também me dá energia”, acrescenta. “A equipa tem uma atmosfera diferente, uma vibração distinta de uma equipa tradicional. Fazem as coisas de outra forma e está a resultar”.

Uma equipa em ascensão

A estrutura Unibet Rose Rockets continua a desenvolver-se. Embora já dispute provas importantes, esta época marca um salto com marcos como a primeira grande vitória na Ronde van Brugge e a próxima participação no Giro.
A transição para o topo exige, diz Kittel, adaptação progressiva e atenção constante ao detalhe. Nesse processo, o compromisso de ciclistas como Groenewegen é essencial.
O neerlandês, que chegou da Team Jayco AlUla, abraçou o projeto com convicção, envolvendo-se no seu desenvolvimento e dedicando tempo à preparação.
“É preciso estar recetivo. Tem de vir de dentro, e com o Dylan isso acontece”, explica Kittel. “Ele quer fazê-lo, coloca tempo e energia na equipa todos os dias e prepara-se bem. Os resultados aparecem, mas são os ciclistas que os conquistam. Todo o mérito é deles”.

Objetivos e perspetivas

Olhando em frente, Kittel mantém a cautela. Acredita que Groenewegen continua capaz de bater qualquer um nos seus melhores dias, embora reconheça que o rendimento oscila ao longo da época.
O grande objetivo da equipa é a Volta a Itália, onde esperam colher os frutos do trabalho. Até lá, a prioridade é aprender em cada corrida, independentemente dos resultados, com o propósito de chegar em pico de forma aos principais objetivos.
“Estou certo de que o Dylan pode bater qualquer um num bom dia”, conclui. “Mas o desempenho tem altos e baixos. É o nosso ponto de partida. O Giro é o grande objetivo e, até lá, temos de aprender com todas as oportunidades, tenham corrido bem ou não, para melhorar rumo às nossas metas principais”.
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