Em 2024,
Tadej Pogacar deu um salto que o transformou numa figura praticamente inigualável no pelotão profissional. Como revelam vários companheiros de equipa, isso resultou de lacunas em pequenos detalhes da preparação nos primeiros anos de carreira. Segundo
George Bennett, ex-colega na UAE Team Emirates - XRG, a implosão no Col du Granon, na
Volta a França de 2022, foi um momento-chave no seu “despertar”.
Bennett militava na equipa em 2022, recém-chegado da rival Visma. Embora não tenha terminado esse Tour, esteve com a equipa no dia em que, na etapa 11, Tadej Pogacar foi atacado pela formação neerlandesa e quebrou de forma evidente no duríssimo Col du Granon.
Nessa etapa perdeu minutos para Jonas Vingegaard, que acabaria por conquistar o seu primeiro Tour, evitando perdas de tempo nas montanhas seguintes. Nesse ano, o neozelandês reconheceu que Pogacar ainda apresentava algumas brechas na armadura.
“Conheci-o quando perdemos o Tour de France no Col du Granon. Acho que esse momento foi decisivo na sua carreira. Nessa altura já tinha um talento enorme, mas não trabalhava tão duro como outros”, disse Bennett numa entrevista ao
Marca.
Acredita que era isso que faltava na altura e que, corrigido, potenciou a sua evolução como corredor. “Agora está completamente focado: treina de forma incrivelmente dura, mudou a alimentação… Tem o maior talento do mundo e uma mentalidade muito forte. É imparável [...] Sim, exatamente. O Granon despertou a besta”.
Numa entrevista recente, o colega e compatriota Domen Novak afirmou que Pogacar venceu o primeiro Tour (em 2020) “
a comer pizza, a beber cerveja e a jogar PlayStation”. Embora a frase seja ambígua e não detalhe o momento específico, Bennett não nega que Pogacar era tão dotado geneticamente que podia relaxar mais e ainda assim obter melhores resultados do que a média. Mas, em última análise, essa menor disciplina pode tê-lo levado a perder uma Volta a França, ou mais.
“Sim, embora não fosse por não saber o que fazia. É simplesmente tão talentoso que não precisava de cuidar-se tanto como outros”, argumenta o kiwi. “Tudo o que alcançou é fruto do seu trabalho, e percebeu a importância dos pequenos detalhes. Depois de perder esse Tour, foi quando mudou de verdade. Quando juntas talento e trabalho duro, o resultado é imparável”.
Comparação entre Tadej Pogacar e Chris Froome
Pogacar soma agora quatro títulos da Volta a França no palmarés, igualando Chris Froome, que atingiu a mesma marca na década anterior. Contudo, Bennett, que viu ambos a subir no auge, considera-os muito diferentes em montanha.
“O Pogacar desfruta imenso de estar na bicicleta. O Froome também, mas vem de uma escola diferente, a da INEOS ou Sky, onde toda a equipa trabalhava mais à sua volta”, explicou Bennett.