A 2ª etapa do
Tour Auvergne-Rhône-Alpes reservava 234,3km de extensão e depois da jornada de abertura mais dura de sempre do antigo Critérium du Dauphiné, seguia-se a 2ª etapa mais longa até agora da temporada, superada apenas por uma etapa da Volta a Itália. São estas tiradas que dão a vertente RESISTÊNCIA ao ciclismo e quem as ganha fica marcado na nossa memória.
Passando à crónica da etapa, que tinha os já citados 234,3km, com 5 subidas categorizadas e 3600 metros de acumulado, um dia com a cara da fuga, ainda para mais na véspera de um importantíssimo contrarrelógio coletivo. 6 ciclistas adiantaram-se logo nos primeiros metros, mas a verdadeira fuga só se estabeleceu na primeira subida categorizada do dia, o Col de Chatain (7.9km à 6.2%). Parecia uma repetição de ontem, com 10 escapados ao pelotão, embora com personagens diferentes: Raúl García Pierna, Benjamin Thomas, Anthon Charmig, Jordan Jegat, Clément Braz Afonso, Nadav Raisberg, Vlad Van Mechelen, Baptiste Veistroffer, Henri Renard-Haquin e Alex Díaz.
A EF Education-EasyPost, do líder Alex Baudin, assumiu o comando do pelotão, tentando manter a diferença abaixo dos 5:35, desvantagem do melhor classificado entre os fugitivos, Clément Braz Afonso. Jegat era outro perigo à solta na frente, tentando recuperar o tempo perdido ontem, condicionado por um furo antes da última subida categorizada.
Durante a subida do Col Robert Marchand (11km à 4.4%), o sol deu lugar à chuva e obrigou o pelotão a reduzir o ritmo, permitindo que alguns ciclistas atrasados, como João Almeida, reentrassem no grupo. Foi apenas uma nuvem passageira e a EF voltou a acelerar o ritmo, numa fase em que a vantagem da fuga superava os 6 minutos, com Dorian Godon a ceder a 60km da meta. Pouco depois, as primeiras movimentações na fuga, com Baptiste Veistroffer e Clément Braz Afonso a abrirem alguns metros.
À entrada do Côte des Baraques (4.2km à 6.6%), a 35km da meta, Decathlon, Netcompany INEOS e Visma juntaram-se à equipa americana na dianteira do grande grupo e, perante isto, Braz Afonso arrancou na frente. No final da ascensão, Almeida acabaria por voltar a ceder no pelotão, mas desta feita não se desligava completamente, mostrando melhorias relativamente a ontem.
Na descida, Braz Afonso foi apanhado pelo duo de perseguidores: Van Mechelen e Pierna, uma companhia indesejada para o também luso descendente, já que os rivais eram bem mais rápidos em caso de sprint. Não houve colaboração e quase todo o grupo voltava a reunir-se, estavam agora 7 na frente e tudo reservado para a última subida categorizada do dia, o Côte de Saint-Vidal (2km à 6.8%).
Thomas tentou surpreender ainda na fase menos dura, mas acabariam por ficar Charmig, Braz Afonso e Charmig mais destacados. O dinamarquês da
Uno-X Mobility cheirou o sangue e arrancou forte, quebrando a resistência do desgastado Braz Afonso e do pesado Garcia Pierna. No pelotão, algumas movimentações, com Maxim Van Gils e Santigo Buitrago ao ataque, prontamente anulados pela Decathlon CGA CGM. Ultrapassada a subida, restavam 10km planos e um verdadeiro contrarrelógio pela frente para o ciclista de 28 anos.
E executou-o na perfeição, abrindo, inclusive, vantagem para os perseguidores, para poder celebrar com toda a calma a sua primeira vitória no worldtour e a 2ª enquanto profissional. Henri Renard-Haquin surpreendeu ao garantir o 2º lugar, batendo Vlad Van Mechelen no mini sprint. O pelotão chegou a 3:13, ainda bem composto, com Finn Fisher-Black a ser o mais rápido, garantindo o 9º lugar.