Rafael Reis chegou à liderança do
Gran Camiño depois de uma etapa exigente,
que terminou com a vitória ao sprint em grupo reduzido de Carlos Canal. O palmelense admitiu ter cometido um pequeno erro tático, mas acabou por conseguir reagir a tempo para vestir a camisola amarela. No final, o corredor português não escondeu a satisfação pelo resultado e assumiu que a prioridade passa agora por defender a liderança nos próximos dias.
"É um sentimento muito bom, eu sabia que tinha que sofrer. Sabia que a qualquer momento o Julius [Johansen] podia passar dificuldades. Começou a passar dificuldades [na subida ao Alto de Noceda], eu cometi um pequeno erro, porque esperei um pouco para ver se ele gastava mais energia e acabei por ter eu que fechar o grupo", explicou o corredor da Anicolor/Campicarn.
O dinamarquês Julius Johansen (UAE Team Emirates - XRG), que partia como líder da classificação geral, acabou por ceder na subida de terceira categoria situada a cerca de 21 quilómetros da meta, numa fase determinante da tirada que ligou Vilalba a Barreiros, ao longo de 148,6 quilómetros. A partir daí, Rafael Reis teve ainda de gerir os esforços até ao final, numa etapa marcada por várias movimentações na frente da corrida.
"O Nelson [Oliveira] tentou ali na parte final, mas eu sentia que tinha força e que podia fechar a qualquer momento. Tive essa sorte também de conseguir encostar depois no grupo da frente e conseguir controlar, mais ou menos, o Nelson e acabei por vestir de amarelo. Estou muito contente, é muito bom para mim e para a equipa", acrescentou o ciclista de 33 anos.
Especialista em esforços curtos e bem conhecido pelos sucessos em prólogos e contrarrelógios da Volta a Portugal, onde soma já 11 vitórias em etapas, Reis passou a comandar a geral com apenas um segundo de vantagem sobre Nelson Oliveira (Movistar), mantendo tudo em aberto para as etapas seguintes.
Após 2 etapas, temos 2 portugueses nas 2 primeiras posições do Gran Camiño
"Nós sabíamos que ia ser difícil o Santiago Mesa chegar hoje, mas acreditávamos mais que amanhã [quinta-feira] ele podia chegar para tentar vencer a etapa, mas agora estamos líderes. Amanhã, acho que vamos ter que assumir a liderança e vamos ver que táticas é que vamos fazer para manter a amarela", referiu.
O corredor da formação portuguesa recordou ainda que o seu papel inicial era ajudar a equipa nos primeiros dias de prova, assumindo que a oportunidade de vestir a camisola amarela surgiu após dois dias em que foi obrigado a dar tudo na estrada.
"Rafa" esclareceu que era apenas o líder da Anicolor/Campicarn "para estes primeiros dias", reconhecendo que sabia que ia ter que dar o máximo e agarrar-se "com unhas e dentes" nas duas primeiras etapas.
No contrarrelógio inaugural, disputado na véspera, as diferenças tecnológicas entre equipas também se fizeram sentir, algo que o próprio corredor reconheceu sem rodeios.
"Sabíamos que ia ser difícil ganhar o contrarrelógio ontem [terça-feira], porque estão aqui equipas com muita evolução tecnológica e não temos os mesmos meios do que eles. Mas tínhamos que tentar e hoje conseguimos vestir de amarelo. [...] Agora, temos que aproveitar o momento, estamos contentes com isso e para nós isto é muito bom", concluiu.
A liderança será colocada à prova já na etapa seguinte, com 169 quilómetros entre Carballo e Padrón, numa jornada que poderá voltar a mexer com a classificação geral. Rafael Reis parte com uma margem mínima sobre Nelson Oliveira e com 12 segundos de vantagem sobre o norueguês Jorgen Nordhagen (Team Visma | Lease a Bike), terceiro classificado. Os dois líderes da equipa à partida: Artem Nych e Ruben Fernandez, continuam na luta pela geral, posicionando-se em 16º (a 1:01) e 27º (a 1:26), respetivamente.
Do lado da Movistar, Nelson Oliveira não escondeu que estará atento às oportunidades que possam surgir ao longo da etapa, deixando em aberto a possibilidade de atacar a liderança caso as circunstâncias o permitam.
"Vou fazer a minha corrida. A parte final é algo complicada também. Vamos vendo com o desenrolar da prova como me vou sentindo",
afirmou à agência Lusa, quando questionado sobre uma eventual tentativa de assumir a camisola amarela.
Créditos da foto: Jornal O Jogo