Romain Bardet considera que a
vitória dominante de Jonas Vingegaard no Paris-Nice deve ser lida na hierarquia atual do ciclismo e não desvalorizada pelo pelotão presente.
Em análise para a Eurosport.fr, o antigo pódio da Volta a França defendeu que o líder da
Team Visma | Lease a Bike mantém um lugar claro entre a elite. “Se o Pogacar está sozinho no topo, o Vingegaard também está sozinho na categoria seguinte”, definiu Bardet. “Está ele, e depois os outros atrás”.
Domínio de Vingegaard acende o debate
A vitória de Vingegaard na “Corrida para o Sol” surgiu na sua primeira aparição de 2026, após um inverno atribulado com uma queda em treino em Espanha e doença que atrasou o regresso à competição.
Apesar da preparação interrompida, o bicampeão da Volta a França impôs-se rapidamente. Vingegaard conquistou duas etapas na fase decisiva da semana e construiu uma vantagem sólida na geral que superou os quatro minutos.
Daniel Martinez e Georg Steinhauser acompanharam Vingegaard no pódio do Paris-Nice 2026
Ainda assim, o contexto da corrida alimentou o debate sobre a força da oposição que enfrentou.
Tadej Pogacar, amplamente visto como o homem-forte da era atual, não esteve presente. Outros nomes de referência nas voltas por etapas, como Joao Almeida, Remco Evenepoel, Isaac Del Toro e Paul Seixas, também faltaram, enquanto Juan Ayuso abandonou mais cedo após uma queda na etapa dos ventos cruzados.
Bardet compara o rendimento com outras referências do início de época
Bardet reconheceu que o
Paris-Nice não ofereceu necessariamente a melhor base de comparação com algumas exibições marcantes já vistas no arranque da época. “Neste Paris-Nice, não tiveram muitos dias com condições ideais para produzir desempenhos de potência enormes”, explicou Bardet. “Mas o que o Vingegaard fez não esteve ao nível do Remco Evenepoel em Valência, do Isaac Del Toro no UAE Tour, ou, obviamente, do Tadej Pogacar na Strade Bianche…”
As palavras do francês enquadram a atuação de Vingegaard no contexto mais amplo da primavera, em que vários corredores já assinaram exibições de destaque.
Pogacar continua a referência
Mesmo assim, Bardet crê que a hierarquia do pelotão se mantém em grande medida. “Na quinta-feira, ele não arrasou toda a gente”, assinalou. “Acho que ainda há um fosso face ao Pogacar. De qualquer forma, ele é intocável se mantiver o nível que mostrou em 2024 e 2025”.
O francês acrescentou que mesmo as versões mais fortes de Vingegaard vistas no início da carreira teriam dificuldade em igualar esse patamar.
“Mesmo o Vingegaard de 2022 ou 2023, que na verdade era menos forte do que o mesmo corredor em 2025, não chegaria a esse nível”, continuou Bardet. “Se o Pogacar está sozinho no topo, o Vingegaard também está sozinho na categoria seguinte. Está ele, e depois os outros atrás”.
Uma vitória que mantém peso
Neste enquadramento, a análise de Bardet sugere que o triunfo de Vingegaard no Paris-Nice não deve ser descartado apenas pelos ausentes na lista de partidas.
Pogacar pode ocupar, hoje, uma classe à parte, mas Vingegaard continua a ser o corredor que mais se aproxima desse nível. Mesmo numa corrida com vários rivais ausentes ou forçados a sair, a exibição do dinamarquês reforçou a posição descrita por Bardet: Pogacar no topo, Vingegaard logo atrás e o resto do pelotão a perseguir à distância.