João Almeida iniciou a sua participação no
Tour Auvergne-Rhône-Alpes 2026 com prudência, mas também com sinais encorajadores depois de um período complicado em que esteve longe das sensações que o habituaram a discutir as principais corridas do calendário internacional. O corredor português encara esta fase da temporada como um processo de reconstrução, tendo já definido a
Volta a Espanha como o grande objetivo para a segunda metade do ano.
Questionado sobre o planeamento da época e sobre a possibilidade de fazer a Volta a Espanha e não correr a Volta a França, como estava programado desde o estágio de dezembro, Almeida voltou a não deixar margem para dúvidas sobre qual é a corrida que ocupa os seus pensamentos neste momento.
“Para mim, pessoalmente, é nisso que estou a pensar”, afirmou Almeida, antes da 1ª jornada ir para a estrada, quando questionado se o calendário está mais direcionado para a Vuelta do que para a Volta a França 2026,
ao Cycling Pro Net.
Os últimos meses não foram simples para o ciclista português. Depois de um arranque de temporada com pódios na Volta à Comunidade Valenciana e Volta ao Algarve, o português adoeceu no pós-Algarvia e falhou um dos grandes apontamentos da primavera, o Paris-Nice, regressou na Volta à Catalunha, mas não era o "bota lume" que todos conhecemos e várias vozes sugeriram que a
UAE Team Emirates - XRG o retirasse de prova, algo que não viria a acontecer, agravando o seu estado de saúde e levando-o a falhar a Volta a Itália.
“Têm sido altos e baixos. Continuei a treinar, mas as coisas não estavam a correr bem, por isso fiz uma pausa”, justificou.
A estratégia parece ter produzido os efeitos desejados. Almeida regressou aos treinos há algumas semanas e garante que voltou a sentir boas indicações, algo que considera fundamental nesta fase da época.
“Há três ou quatro semanas recomecei os treinos e aqui estou. Sinto-me bem, e isso é o mais importante”.
Sem estabelecer metas rígidas para a corrida francesa, Almeida encara a prova sobretudo como uma oportunidade para avaliar o ponto em que se encontra e perceber o que ainda falta melhorar antes dos grandes compromissos da temporada e isso ficou patente logo após a 1ª etapa, um dia duro, com 3200 metros de acumulado, no qual Almeida descolou logo na 1ª montanha, viria a reentrar, mas perderia o contacto com o pelotão definitivamente a 54km da meta. Acabaria por chegar no grupetto,
a 24 minutos do vencedor Alex Baudin.Apesar das boas sensações demonstradas nos treinos, o português prefere manter uma abordagem cautelosa e admite que ainda poderá precisar de algum tempo para atingir o nível competitivo que pretende.
“Sinto-me bem nos treinos, as coisas estão a correr bem. Espero estar ao meu nível normal dentro de um ou dois meses, não sei”, explicou o português. “Esta semana serve para ver onde estou realmente”.
Por essa razão, a participação no Tour Auvergne-Rhône-Alpes surge sem a pressão habitual associada aos candidatos à classificação geral. Almeida pretende sobretudo recuperar ritmo competitivo e confirmar a evolução demonstrada nas últimas semanas.
“Não trago objetivos nem nada do género. Vou apenas ver como me sinto”.