A edição de 2026 da
Strade Bianche teve duas estrelas. E poderá ter sido uma das poucas corridas em que o nome do segundo classificado foi mais celebrado do que o do vencedor. Como se fosse “apenas mais um treino”,
Tadej Pogacar somou uma
confortável quarta vitória nas estradas brancas. Do esloveno esperava-se muito. Porém, o seu sucessor
Paul Seixas foi quem verdadeiramente virou cabeças na Toscana.
“É inacreditável”, o
especialista da TNT Sports Adam Blythe mal conseguia conter o entusiasmo com o jovem francês. “O miúdo de 19 anos aguenta-se na roda do Tadej… Mas é nesse momento que o Tadej volta a abrir o acelerador e consegue colocar distância entre ele e o Seixas. E foi-se embora. Isso aconteceu a 78 quilómetros da meta.”
O francês acabaria por ser alcançado por um grupo mais numeroso de candidatos, com outro ciclista da UAE, Jan Christen, também na mistura. Apesar de múltiplos ataques, o grupo manteve-se compacto até ao penúltimo setor de sterrato - Colle Pinzuto.
“E depois, a pouco mais de 18 quilómetros do fim, tivemos o Seixas a atacar com o Del Toro, que esteve (na roda dele) praticamente o dia todo, a segui-lo”, assinalou Blythe, sublinhando o respeito da UAE por Seixas.
Adversários já temem Seixas
Paul Seixas e Tadej Pogacar foram os protagonistas da Strade Bianche 2026
Mesmo num grupo de cerca de 10 corredores, a maior fatia do trabalho recaiu sobre Seixas, depois da demonstração de força mais cedo na corrida. O cenário repetiu-se após a aceleração do francês na fase final, à qual só Del Toro respondeu. Mas o mexicano, colega de equipa de Pogacar, nunca passou à frente. Por várias razões.
“Em abono da verdade, o Seixas fez imenso trabalho na dianteira, quase ninguém lhe deu um turno, sobretudo quando os dois foram até à meta. Ele até pediu ajuda ali, mas… acho que o Del Toro estava no limite.”
No final do dia, os resultados foram justos, segundo Blythe, com o esloveno a defender o título diante do talentoso francês, que conseguiu largar Del Toro na última rampa para a Piazza del Campo, em Siena. Fica, claro, a dúvida se o mexicano tentou realmente aí…“O Pogacar cortou a meta isolado, fez uma vénia na linha. Atrás, o Paul Seixas deixou o Del Toro na subida final depois de este não ter feito trabalho o dia todo, e assegurou o segundo lugar, com o Del Toro a fechar o pódio.”
Mas, independentemente desta pequena “polémica do segundo lugar”, Blythe desfrutou plenamente da corrida. Nem tanto por um duelo emocionante pela vitória - decidido duas horas antes de o pelotão chegar a Siena -, mas pela perspetiva de um possível destronamento de Tadej Pogacar que ganha vida graças a Seixas. Após anos de domínio absoluto do esloveno em todo o tipo de provas (exceto a Milão-Sanremo), o francês surge, de longe, como o desafiante mais promissor.
“Exibição brilhante do Seixas! E acredito que, se continuar a evoluir, ele e o Pogacar vão travar grandes batalhas no futuro”, concluiu Blythe.