Mathieu van der Poel conquistou, no passado fim de semana, a sua segunda vitória na Milan-Sanremo, com uma exibição individual que entra para o lote das melhores da sua carreira. O ciclista neerlandês respondeu com autoridade aos ataques de Tadej Pogacar nas subidas e deixou o esloveno e Filippo Ganna para trás com um sprint final demolidor.
Antes da clássica italiana, Sean Kelly, lenda do ciclismo irlandês e duas vezes vencedor da Milan-Sanremo, questionava como é que a UAE Team Emirates - XRG poderia eliminar os homens mais rápidos do pelotão para maximizar as hipóteses do seu líder. A resposta surgiu em forma de um ataque feroz na Cipressa. “Foi impressionante a velocidade com que os Emirates subiram”, escreveu Kelly numa coluna no Cycling News. "Até eles próprios pareceram surpreendidos. Sentiram a falta de Isaac Del Toro no momento decisivo e pergunto-me se as coisas poderiam ter sido diferentes com ele presente, a impor um ritmo ainda mais forte na subida. Ainda assim, no final, foram Pogacar, Van der Poel e Ganna que emergiram na frente".
A falta de coordenação entre os perseguidores acabou por jogar a favor dos da frente, como sublinha o antigo campeão. “Subiram tão rápido, mas a ausência de coesão atrás ajudou. Nenhuma equipa quis assumir responsabilidades e guardaram forças para o sprint. Isso permitiu-lhes manter a vantagem entre a Cipressa e o Poggio, algo historicamente difícil de conseguir".
Apesar de a corrida se ter começado a decidir na Cipressa, o verdadeiro clímax deu-se no Poggio. Van der Poel respondeu a todos os ataques de Pogacar e lançou a sua ofensiva pessoal mesmo antes do alto. “No Poggio, ele sabia que Pogacar ia atacar. Nem precisava de olhar — quando se tem tanta experiência, sente-se isso”, analisa Kelly. “Estava sempre na roda, via-se que estava confortável. Sabia-se que não ia quebrar".
Num momento que simboliza bem a sua força e instinto competitivo, Van der Poel não se limitou a seguir Pogacar — contra-atacou o campeão do mundo de forma contundente. "Não fiquei surpreendido com o ataque no topo”, admite Kelly. "Quando se provoca o urso, mesmo que se seja campeão do mundo, ele responde. E Van der Poel é um urso muito grande".
No sprint final, Ganna ainda conseguiu juntar-se ao duo, mas sem causar grande perturbação à dinâmica da frente. “A forma como Ganna reapareceu, já perto do final, até foi positiva — não criou confusão e forçou Van der Poel e Pogacar a manterem o ritmo elevado. Mas Van der Poel sprintou na perfeição, com enorme explosividade. Esteve sempre no controlo”, destaca Kelly.
“Quando olhamos para a Sanremo, pensamos que a Cipressa e o Poggio beneficiariam Pogacar, pelo seu perfil explosivo. E mesmo não sendo subidas longas, tornam-se muito duras àquela velocidade. Por isso, parecia difícil para Van der Poel igualá-lo. Mas a forma como o fez, no sábado, foi absolutamente magistral. Foi uma verdadeira lição de ciclismo".
🎥 💨 Jump right in the mix and go down Il Poggio di Sanremo, as if you were in the wheel of 🇳🇱 Mathieu van der Poel
— Milano Sanremo (@Milano_Sanremo) March 23, 2025
🎥 💨 Buttati subito nell'azione e scendi giù per Il Poggio di Sanremo, come se fossi nella ruota di 🇳🇱 Mathieu van der Poel#MilanoSanremo presented by @CA_Ita pic.twitter.com/ROUNLO4A4N