Só 6 atletas conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão… Poderá Quinn Simmons ser o 7.º? “Quero apontar aos Jogos de Inverno de 2034, em Utah”

Ciclismo
sábado, 03 janeiro 2026 a 11:00
Quinn Simmons
Num desporto cada vez mais moldado por ganhos marginais e planeamentos de carreira rígidos, Quinn Simmons (Lidl-Trek) assume uma ambição que foge ao guião do ciclismo moderno.
O norte-americano deixou claro que o seu horizonte olímpico vai além da estrada. Los Angeles 2028 surge como objetivo possível em plena maturidade competitiva, mas Simmons olha já mais longe, para uma meta bem mais rara.
“Primeiro quero viver os Jogos de Verão”, disse Simmons à Sporza, referindo-se a Los Angeles. “Depois, quero apontar aos Jogos de Inverno de 2034, em Utah”.
É uma declaração que coloca imediatamente Simmons num espaço histórico quase vazio.

Um clube tão exclusivo que só tem seis membros

Quinn Simmons posa para as câmaras
Simmons é um dos corredores mais facilmente identificáveis de todo o World Tour
A história olímpica sublinha quão extraordinária é essa ambição. Apenas seis atletas conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno.
A lista inclui Eddie Eagan, ainda o único com ouro em ambas as edições; o polivalente norueguês Jacob Tullin Thams; a alemã-oriental Christa Luding-Rothenburger, patinadora de velocidade que passou à pista e conseguiu o feito no mesmo ano; a canadiana de endurance Clara Hughes; a norte-americana Lauryn Williams, sprinter que transitou para o bobsleigh; e Steven Holcomb, que passou do atletismo para o bobsleigh.
Nenhum deles fez a ponte do ciclismo de estrada para uma disciplina alpina de endurance. É essa a lacuna que Simmons propõe colmatar.

De promessa juvenil na neve a profissional no WorldTour

O que dá peso às palavras de Simmons é que o ski mountaineering não é novidade nem gancho de marketing no seu percurso. Antes de competir profissionalmente na estrada, foi o seu primeiro desporto de elite.
Crescido no Colorado, Simmons competiu a nível mundial juvenil em ski mountaineering, disciplina que combina longas ascensões em esqui com descidas tecnicamente exigentes. O perfil físico é brutal e muito específico, mas ajudou a moldar o motor aeróbico e a resiliência que sustentaram a sua ascensão rápida no ciclismo.
Após a mudança de modalidade, Simmons não perdeu tempo. Um título mundial júnior projetou-o diretamente para o profissionalismo, contornando a longa curva de desenvolvimento comum na modalidade. Apesar de ter abraçado totalmente o ciclismo, nunca cortou de todo os laços com o desporto de origem.

Porque é que Utah 2034 não é conversa oca

Essencialmente, Simmons não enquadra a ambição olímpica como um cruzamento de curto prazo. A sequência é relevante. Los Angeles 2028 encaixa nos seus anos de pico como profissional. Utah 2034, pelo contrário, surge no final de uma carreira longa de elite, permitindo uma mudança tardia em vez de uma aposta a meio do percurso.
A recente inclusão do ski mountaineering no programa olímpico reforça esse foco. Ao nomear uma edição específica e uma disciplina concreta, Simmons retira muita da ambiguidade que costuma envolver estas conversões olímpicas.
Se chegar ou não à linha de partida continua incerto. A história olímpica sugere probabilidades muito contra. Mas, ao enunciar o objetivo de forma tão direta, Simmons colocou-se numa conversa a que quase nenhum ciclista no ativo pode aspirar com credibilidade.
Se algum dia o conseguir, não será apenas o sétimo membro de um clube olímpico exclusivo. Será o primeiro a abrir um caminho totalmente novo para lá chegar.
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