Enquanto
Remco Evenepoel monopolizou as manchetes com
uma vitória fenomenal na Amstel Gold Race, outro corredor assinou silenciosamente uma das prestações físicas mais impressionantes do dia. É italiano e corre pela NSN, chama-se
Marco Frigo e não é um nome novo para os mais atentos. Hoje, resistiu às duríssimas colinas neerlandesas desde a fuga matinal para garantir um top-10 muito respeitável frente aos grandes favoritos. Para a maioria, seria motivo de grande celebração, mas não para ele.
Jogar com os seus pontos fortes para evitar o caos
Tendo já estado perto de vitórias de etapa tanto na Volta a Itália como na Volta a Espanha a partir de fugas de longa distância, a sua estratégia para a
Amstel Gold Race era bastante direta.
“Sabemos que a colocação não é um dos meus pontos fortes”, explicou Frigo numa
entrevista pós-corrida. “Por isso, depois do reconhecimento e de ver edições anteriores, decidimos que para mim o melhor era atacar e rolar ao meu ritmo; essa é a minha especialidade”.
Como o pelotão principal começou a perseguir a fuga inicial muito mais cedo do que o previsto, Frigo foi forçado a acelerar longe da meta apenas para manter vivas as suas esperanças. Trouxe inicialmente Huub Artz consigo e o duo trabalhou de forma brilhante. Eventualmente, porém, o ritmo implacável foi demasiado para Artz, deixando Frigo completamente sozinho na frente da corrida.
Marco Frigo durante a 2ª etapa do Tirreno-Adriatico de 2026
Inevitavelmente, o italiano foi alcançado pela elite absoluta do pelotão quando Remco Evenepoel,
Mattias Skjelmose e
Romain Grégoire fizeram a ponte. Longe de quebrar sob pressão, Frigo conseguiu aguentar no grupo perseguidor de elite até à meta. Como Grégoire acabaria por ceder, um lugar no pódio ficou subitamente ao alcance de Frigo.
“No fim, olho para a corrida com alguma desilusão”, admitiu o italiano, imperturbável perante o facto de ter sobrevivido a uma das provas mais duras do ano. “A Amstel era uma grande oportunidade para um resultado de topo”.
Um erro caro no sprint final
Frigo tinha todas as razões para acreditar num grande desfecho, sobretudo porque a dinâmica tática do grupo perseguidor lhe permitiu poupar energia preciosa na fase final. Sabendo que não é, por natureza, o mais rápido a finalizar, tentou guardar pernas enquanto outros assumiam o esforço para manter o ritmo elevado.
“Houve pouca cooperação no grupo perseguidor. Foram sobretudo Benoît Cosnefroy e Alex Baudin a trabalhar”, detalhou Frigo sobre os quilómetros finais. “Para mim, também foi uma questão de pura sobrevivência, por isso limitei-me a ficar na roda”.
Quando, porém, chegou a hora de lutar pelo último lugar do pódio, a falta de experiência de Frigo ao sprint traiu-o. Lançou a sua aceleração demasiado cedo, ficou sem força antes da linha e caiu para décimo na derradeira centena de metros.
“Estou bastante frustrado com o final. Preciso de aprender a jogar melhor o jogo”, concluiu Frigo, em dura autoanálise. “Comecei o sprint demasiado cedo. No fim, não estou aqui para um décimo lugar, um pódio é muito melhor”.