“Tom foi um verdadeiro vencedor”: Matthew Hayman aplaude a classe de Boonen apesar da derrota dolorosa no Paris-Roubaix de 2016

Ciclismo
sábado, 11 abril 2026 a 8:00
matthewhayman
A edição de 2016 do Paris-Roubaix terá tido a chegada mais icónica nos 120 anos de história desta clássica de um dia. Os protagonistas foram o tetracampeão Tom Boonen e o então relativamente desconhecido Matthew Hayman. O australiano, de 37 anos, já tinha feito Roubaix catorze vezes, com dois top-10 a sobressair no palmarés. Ainda assim, frente ao melhor classicoman da sua geração (a par de Fabian Cancellara), ao fim de seis horas de corrida, Hayman foi ao fundo do depósito e bateu Boonen ao sprint para uma vitória impressionante que marcaria a sua carreira.
Tão improvável como o triunfo em Roubaix, a preparação foi ainda menos linear do que as pedras da Trouée d’Arenberg. Um mês e meio antes, no final de fevereiro, Hayman sofreu uma queda pesada na Omloop Het Nieuwsblad. Com o cotovelo partido, a primavera parecia arruinada, ou assim todos pensaram.
“Disseram-me que iam ser precisas seis semanas até poder voltar a andar de bicicleta”, recorda Hayman em conversa com a Sporza dez anos depois da façanha. “Pensei que estava tudo perdido”.
Com seis semanas de recuperação, parecia difícil chegar em forma à partida do Paris-Roubaix. Quanto mais discutir a vitória. Mas Hayman não baixou os braços. Dias após a queda, voltou ao rolo, acumulando trabalho para estar pronto para Roubaix, a corrida que o fascinava.

Aproveitar um Zwift improvisado

É preciso estar a 100% para enfrentar os paralelos mais duros de Roubaix
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Com o cotovelo engessado, Hayman teve de ser criativo no ajuste da bicicleta. Segurava o guiador com a mão esquerda e apoiava a direita numa escada. “Tinha gesso até à parte superior do braço. Apoiei esse braço numa espécie de escada e assim conseguia treinar”.
“Nas primeiras três semanas, treinei quase 20 horas por semana no rolo. Ao início pensei: ‘O que é que eu estou a fazer?’ Não foi fácil”, admitiu Hayman sobre um período em que plataformas como a Zwift ainda não estavam tão estabelecidas. “Achava treinar no rolo absolutamente terrível e não aguentava uma hora, mas agora começou a resultar [graças a plataformas como a Zwift]”.
Hayman matou o tempo a ver imagens das clássicas. “Fazia quase sempre duas sessões por dia. Treinava de manhã e, à tarde, via a corrida na garagem enquanto treinava”.
O dispositivo improvisado estava longe de ser confortável, mas um homem determinado vai longe pelo seu sonho… e esta lesão acabou por ser apenas um degrau para o sucesso. “Era a minha corrida favorita. Quer dizer: fiz tudo o que podia para lá voltar. Era a corrida onde achava que podia conseguir um resultado”.

Boonen é um verdadeiro campeão

Na manhã da corrida, Hayman entrou cedo na fuga e manteve-se quando o favorito Tom Boonen fez a ponte para o grupo. A prova decidiu-se num sprint a cinco com Boonen, Hayman, Edvald Boasson Hagen, Sep Vanmarcke e Ian Stannard. Companhia de luxo. E Hayman encontrou mais do que todos nas pernas para levar para casa o troféu em pedra.
No processo, partiu o coração dos adeptos belgas, já que um quinto título de Boonen em Roubaix torná-lo-ia no primeiro a alcançar esse feito.
Hayman tentou não atiçar as chamas. “Sei que dei uma entrevista à Sporza, em neerlandês e muito rápido, porque temia que, de outra forma, a minha casa pegasse fogo”, brinca, com um riso nervoso.
“Sou eu próprio um grande fã do Tom. O Tom era um verdadeiro vencedor. Depois da meta, apertou-me logo a mão. Achou que foi justo”, valorizou Hayman o gesto do rival. “Sim, os parabéns dele foram, sem dúvida, especiais. Não sei se teria reagido da mesma maneira se fosse ao contrário. O Tom é um grande campeão”.
Ainda hoje, Hayman mantém os elogios ao adversário de então. “Diz-se que é preciso muita sorte para ganhar Roubaix, mas olhem para o palmarés do Tom. Esteve lá todos os anos. Aí já não se fala de sorte”.
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