A surpreendente transferência de Tom Pidcock para a Q36.5 Pro Cycling Team foi uma das movimentações mais inesperadas do último defeso. A saída de um dos talentos mais versáteis do pelotão internacional da poderosa INEOS Grenadiers para uma modesta ProTeam suíça gerou incredulidade no mundo do ciclismo. Porquê descer do WorldTour no auge da carreira?
Com os primeiros meses da época de 2025 decorridos, a resposta começa a ser evidente: liberdade desportiva, papel de liderança e ambição partilhada. Pidcock não veio apenas para correr, veio para construir. E a aposta está, para já, a dar frutos. A equipa de Doug Ryder, relançada em 2023, soma já sete vitórias esta temporada — superando o total de 2024 — sendo quatro delas assinadas por Pidcock.
"É um passo em frente evidente", reconheceu o diretor desportivo Jens Zemke ao Cycling News. A chegada de Pidcock não trouxe apenas talento individual: trouxe também o seu treinador de longa data, Kurt Bogaerts, e uma mentalidade de alta competição. "A presença dele faz a equipa subir de nível. Desde os treinos de inverno que sentimos mais foco, mais atenção ao detalhe, mais ambição. Cada pequeno ajuste conta."
A influência de Pidcock tem-se feito sentir muito para lá dos resultados. Com um espírito empreendedor e uma reputação de excelência, o britânico de 24 anos parece ter transformado a atmosfera interna da equipa. O irlandês Rory Townsend, na formação desde 2024, confirma: “Mesmo antes da chegada dele, os padrões já eram altos. Mas com o Tom, o profissionalismo está ainda mais presente. Para quem está dentro, esta mudança faz sentido.”
As vitórias e a dinâmica positiva da equipa foram recompensadas com um convite para o Giro, a primeira Grande Volta da jovem história da Q36.5. Para Pidcock, é uma oportunidade de ouro para brilhar em etapas seletivas e liderar um projeto novo num dos maiores palcos do ciclismo mundial. “É a corrida que queríamos desde que entrei para a equipa. Estou motivado e entusiasmado para deixar a minha marca,” sublinhou.
Zemke não esconde a ambição: “Com o Tom, o Frison e o Zukowsky todos saudáveis, podemos ser uma equipa que faz a diferença. Queremos atacar, ser protagonistas. Já provámos na Strade Bianche que conseguimos enfrentar Pogacar. O Giro pode ser mais um palco para mostrar que a Q36.5 veio para ficar.”
Apesar da excelente forma de Pidcock, as Clássicas do Norte têm sido difíceis para a equipa. Lesões e doenças limitaram o número de opções disponíveis para apoiar o britânico. Zemke reconhece: “Faltou-nos profundidade para lutar nas corridas empedradas. Mas nas Ardenas vamos estar mais fortes.”
Townsend, um dos rostos mais visíveis da equipa, assume a exigência crescente: “Estou a fazer muito mais corridas WorldTour. É duro, mas é o tipo de oportunidade que não se desperdiça. Trabalhar com um talento como o Tom também me ajuda a crescer.”
A presença de Pidcock também começa a ter efeito no mercado de transferências. “Para 2026 já temos conversas avançadas com ciclistas de topo que querem vir. A Q36.5 é cada vez mais apelativa,” revelou Zemke. A estrutura técnica e os patrocinadores de luxo (Scott, Mercedes, Breitling) são argumentos adicionais para atrair talento.
Tom Pidcock não deu um passo atrás. Deu um passo diferente. Ao deixar uma das maiores estruturas do ciclismo mundial para abraçar um projeto com ambição renovada, o britânico trouxe uma nova dimensão à Q36.5 — vitórias, notoriedade, mentalidade vencedora. Com um Giro no horizonte e mais reforços a caminho, a formação de Doug Ryder está a transformar-se de outsider promissora em presença incontornável no pelotão internacional.
Read more on our Wildcard entry to @giroditalia 🇮🇹
— Q36.5 Pro Cycling Team (@Q36_5ProCycling) April 1, 2025
👇https://t.co/tV3t1Mbm27 https://t.co/4BNEhBuhRn pic.twitter.com/SPgUrQEjAQ