Jhonatan Narváez transformou a
Volta a Itália de caça a etapas da
UAE Team Emirates - XRG numa luta classificativa à parte. Três vitórias já o tinham tornado uma das figuras da corrida, mas a
14ª etapa trouxe algo diferente: a Maglia Ciclamino.
No mesmo dia em que Jonas Vingegaard finalmente arrancou a Maglia Rosa a Afonso Eulálio, Narváez tirou discretamente a roxa a
Paul Magnier por um único ponto. Não foi mais uma vitória da UAE, mas foi mais um exemplo de como a equipa tem sabido capitalizar numa corrida que repetidamente escapou ao controlo puro dos sprinters.
UAE deteta a abertura enquanto a Quick-Step perde o controlo
A camisola por pontos parecia território de Magnier após os seus dois sprints vitoriosos no arranque, mas a secção intermédia deste Giro arrastou a competição para terreno bem mais duro. A 14ª etapa foi mais um dia em que a Soudal - Quick-Step teve de defender a camisola do sprinter em perfil com pouca margem.
Narváez viu a oportunidade antes da bandeira baixar. “Sim, a verdade é que sabíamos que não seria fácil, mas que era possível conquistar a camisola porque a Quick-Step ia ter um dia difícil de controlar na primeira subida”,
disse Narváez ao Cycling Pro Net. “Vai ser bonito vesti-la e veremos o que conseguimos fazer na última semana”.
Esse foi o ponto-chave. A UAE não precisava que Narváez vencesse a etapa. Precisava que ele se colocasse bem, sobrevivesse ao terreno exigente e continuasse a pontuar enquanto a corrida de Magnier se tornava cada vez mais difícil de gerir.
No final da etapa, Narváez somava 131 pontos, um à frente de Magnier. Jonathan Milan segue mais atrás, com 76, deixando a luta pela roxa centrada em dois perfis opostos: Magnier, o finalizador rápido, e Narváez, o todo-terreno que fez contar os dias mais duros.
Rosa antes, roxo agora
A frase de destaque de Narváez após a etapa ganhou peso extra porque foi além deste Giro. A referência à Maglia Rosa não dizia respeito à edição de 2026, mas sim à vitória na etapa inaugural do Giro de 2024, quando vestiu de rosa em Turim.
Jhonatan Narváez antes da 14ª etapa do Giro 2026
Agora juntou a camisola por pontos a esse registo em Grandes Voltas. “Sim. Já vesti a Maglia Rosa e agora esta camisola, por isso sabe bem”, descreveu. “Sabe mesmo bem. Sinto-me orgulhoso. Cada conquista é importante para mim”.
Tem sido esse o tom do Giro para Narváez. Venceu em corrida seletiva, brilhou no caos das fugas e agora forçou a entrada numa luta classificativa que parecia talhada para sprinters. “Sabe muito bem”, reforçou. “Acho que não são muitos os ciclistas que conseguem vestir esta camisola aqui no Giro, e estou orgulhoso por a vestir neste momento”.
Narváez não é a única carta da UAE
A força da UAE nesta corrida vem de mais do que um corredor. As saídas precoces de Adam Yates, Jay Vine e Marc Soler podiam ter arruinado o Giro da equipa, mas em vez disso o coletivo virou-se para a caça a etapas com eficácia implacável.
A 14ª etapa voltou a mostrar essa amplitude. Narváez pensava na roxa, mas Igor Arrieta e Jan Christen também deram opções à UAE num dia em que a luta pela fuga e a disputa pela geral se cruzaram.
“Foi complicado”, analisou Narváez. “Acho que foi um dia difícil para mim. O Jan e o Igor tiveram oportunidades. O Igor é também um corredor muito inteligente e esteve bem. Ainda há dias por disputar, por isso vamos continuar a dar o nosso melhor”.
Narváez tem a camisola, mas não o seu controlo. Magnier está a apenas um ponto e ainda terá oportunidades nos dias mais rápidos. Narváez, porém, mudou o figurino do duelo. Já não é apenas um sprinter a defender o roxo à espera de Milão ou Roma.
É agora uma luta ponto a ponto entre um finalizador puro e um corredor que já fez deste Giro a sua corrida em quase todos os outros aspetos.