“Vai decidir-se no contrarrelógio de 42 km”: Elia Viviani aponta um momento‐chave desta Volta a Itália

Ciclismo
terça-feira, 05 maio 2026 a 9:30
Elia Viviani
A Volta a Itália 2026 arrancará mais cedo do que parece, e Elia Viviani mal pode esperar para a viver de um ponto de vista totalmente novo. Após 15 anos como profissional, com cinco vitórias de etapa na Volta a Itália, o sprinter italiano passou para o carro da equipa e vai percorrer a corrida como diretor desportivo da INEOS Grenadiers. Naturalmente, já analisou ao detalhe o percurso de 2026, por isso, quais são as suas ideias sobre o que aí vem?
“Vai decidir-se no contrarrelógio de 42 quilómetros, a 10ª etapa de Viareggio a Massa: ali as diferenças podem ser grandes, por vezes de 2-3 minutos”, começa por dizer, sem rodeios, em entrevista à La Gazzetta dello Sport.
O teste contra o cronómetro surge como ponto-chave da primeira metade da edição de 2026, mas, ao mesmo tempo, ele reconhece que a geral poderá já estar a ganhar forma nessa fase. “Há muitas subidas, como o Blockhaus (7ª etapa) e o Corno alle Scale (9ª), antes desse crono, mas esse será o fator decisivo”.
Também para os sprinters, o antigo campeão da Europa vê várias oportunidades, sobretudo durante a Grande Partida na Bulgária. “Começar forte, talvez vestir a camisola rosa na etapa inaugural, ganhar em Milão ou Roma. Isso não acontece muitas vezes”.

Já a sentir falta da bicicleta

Elia Viviani encerrou a carreira profissional em alta, com a camisola arco-íris de pista
Elia Viviani encerrou a carreira profissional em alta com a camisola arco-íris de pista
Apesar de Viviani ter tido uma carreira longa, encerrada de forma natural e doce com um título mundial na perseguição por equipas em pista, o italiano ainda sente um formigueiro estranho nas pernas quando regressa à Volta a Itália.
“Para um italiano, o Giro é a corrida do ano. Ainda mais do que o Tour, pelo que representa. É casa, as estradas onde cresceste, os adeptos. Teria sempre escolhido o Giro”.

A dura realidade do ciclismo italiano

Contudo, o ciclismo italiano, no geral, não atravessa uma era dourada. Certo é que os antigos companheiros de pista de Viviani - Jonathan Milan e Filippo Ganna - mantêm o tricolor em destaque com excelentes prestações no contrarrelógio e nos sprints, mas, na montanha, o triunfo de Vincenzo Nibali no Giro 2016 já vai ficando coberto de pó.
“Sou otimista. Vejo sempre o copo meio cheio, como ao longo da minha carreira, não olho para trás, porque não serve de nada”, afirma Viviani, em tom positivo. “Temos ciclistas excelentes: Ganna e Milan estão entre os melhores do mundo. A chave para evoluir está na base, nas camadas jovens”.
Filippo Ganna surpreendeu o pelotão dos sprinters com um ataque tardio na Dwars door Vlaanderen 2026
Filippo Ganna surpreendeu o pelotão dos sprinters com um ataque tardio na Dwars door Vlaanderen 2026
Mas Viviani deteta um sinal animador entre os mais novos: “Tornaram-se extremamente frágeis nos últimos anos. Hoje procura-se logo o talento ‘puro’, mas isso traz o risco de falhar quem se desenvolve mais tarde”.
Para já, a realidade é dura para Itália. “Estamos num desporto global dominado por campeões, e isso não é fácil. A verdade é que, com o Pippo e o Jonathan, estivemos muito bem. Mas temos corredores competitivos em várias áreas. Pensem no ano passado: o Ciccone foi sexto no Campeonato do Mundo e o Scaroni quarto no Campeonato da Europa”.
E, para o futuro, o país já tem algo muito promissor na calha. O jovem Giulio Pellizzari, de 22 anos, é de repente candidato ao pódio no próximo Giro. “[Lorenzo] Finn está a dar os passos certos, não está a precipitar-se, e a sua hora chegará. Repito: é preciso paciência e trabalhar forte na base, para que os campeões do futuro possam crescer”, conclui Viviani.
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