Longe do pelotão, a semana foi dominada por notícias geopolíticas. Os EUA lançaram uma ofensiva aérea sobre a Venezuela e capturaram o líder Nicolás Maduro, que foi entretanto levado para os Estados Unidos da América para julgamento. O que significa isso para a principal prova do país, a Volta a Tachira? Aparentemente nada, já que deverá realizar-se nas próximas semanas.
As corridas profissionais perto de zonas de conflito ativo voltaram à agenda no último ano, embora se possa argumentar que o caso difere do que aconteceu na Volta ao Ruanda. Na altura, as equipas competiam e pernoitavam a poucas dezenas de quilómetros das áreas onde o movimento M23, apoiado pelo Ruanda, conduzia ações de guerra na vizinha República Democrática do Congo.
No caso venezuelano, não há combates em Caracas neste momento, porém, há poucos dias, helicópteros norte‑americanos sobrevoaram a capital enquanto mísseis eram apontados a vários alvos no país. É uma situação em evolução e, embora a corrida e os seus corredores possam não estar diretamente ameaçados, existem receios logísticos para várias equipas estrangeiras que planeiam deslocar-se à Venezuela. A evolução no terreno pode também, em algum momento durante a prova, colocá-la em risco ou forçar um cancelamento.
O organizador Josmer Cuadros disse ao
ACN que “a Volta a Tachira vai realizar‑se sem qualquer modificação e, a partir da próxima quarta‑feira, teremos as primeiras equipas estrangeiras em San Cristóbal. Não há alteração no percurso das dez etapas e José Gregorio Freites, a autoridade máxima do desporto em Táchira, está em contacto permanente com os responsáveis pela operação de segurança para levar a cabo a corrida sem contratempos”.
Se tudo correr como planeado, a prova arranca esta sexta‑feira, 09/01, na cidade de San Cristóbal, e disputar‑se‑á maioritariamente entre aí e a cidade de Mérida até 18/01. É a primeira corrida por etapas UCI oficial do ano.