Wout van Aert continua a ter uma Volta a França decepcionante. Teve um início de corrida muito prometedor onde por pouco não vestiu a camisola amarela. No entanto ao longo desta Volta, já foi bloqueado em dois sprints de grupo e hoje terminou na segunda posição pelo segundo dia consecutivo, perdendo a etapa devido a um erro na sua saída.
A Visma trabalhou todo o dia, perseguindo uma fuga forte no início do dia, mas essencialmente porque nela estava Adam Yates da UAE. Van Aert pretendia ir para o sprint, mas este plano foi posto em causa quando liderou um ataque coletivo da Visma contra Tadej Pogacar nos ventos cruzados no início do dia. Van Aert trabalhou muito para Jonas Vingegaard, mas depois manteve-se no pelotão até ao final da etapa, enquanto os seus colegas de equipa e vários outros trabalhavam para controlar os muitos ataques que pareciam beneficiar de um dia de corrida rápido e caótico.
Wout van Aert soma dois segundos lugares em etapas, sempre vencido por Jasper Philipsen
No sprint final, a Visma fez um trabalho perfeito com Christophe Laporte, levando o belga para a frente, mas o campeão europeu cometeu um erro crucial, abrindo para o lado a cerca de 300 metros do fim, o que foi demasiado cedo ( e longe) para van Aert, que viu Jasper Philipsen passar por ele e, embora van Aert tenha conseguido apanhar a sua roda e tentar ultrapassá-lo, não o conseguiria fazer.
"Estava posicionado perfeitamente, mas tive de esperar um segundo. Depois o Jasper veio de trás em velocidade. É uma pena", disse van Aert numa entrevista após a corrida. "Talvez devesse ter deixado alguém passar nas últimas curvas. Mas no sprint anterior, em que o Jasper ganhou, deixei que ficassem demasiados homens entre nós e não tive hipóteses. Por isso é que eu quis manter-me na roda do Christophe [Laporte]."
Era um dia que poderíamos dizer que lhe agradava, mas onde acabou por não conseguir vencer a etapa. Agora aguarda-o um fim de semana de alta montanha, onde a Visma irá tentar atacar Tadej Pogacar. Wou van Aert terá de esperar pela próxima semana onde terá mais duas oportunidades. "Há aqui muitos dias aborrecidos, em que não acontece quase nada. De repente, metade do pelotão apercebe-se de que há etapas pela frente em que não terão hipóteses e acordam para a corrida. Talvez muitos homens estejam cansados, mas se todos estiverem mais ou menos cansados por igual, ainda se consegue uma boa corrida", concluiu.
Carlos Silva é redator do CiclismoAtual.com e do CyclingUpToDate.com, onde contribui regularmente com crónicas de corrida, entrevistas, análises e cobertura em direto das principais competições do calendário internacional. Licenciado em Desporto pelo Instituto Jean Piaget, alia a formação académica na área do rendimento desportivo e da competição à experiência prática no jornalismo de ciclismo profissional.
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