Mathieu van der Poel tem estado absolutamente imparável este inverno, vencendo nove em nove corridas de ciclocrosse que disputou, com uma facilidade quase insultuosa. O campeão do mundo em título tem ainda duas das três etapas da Taça do Mundo no programa antes de virar o foco para a nova época de estrada.
A gerir energia?
As suas exibições recentes foram tema de debate para
Laurens ten Dam e o especialista em ciclocrosse Thijs Al. “Acho que o Mathieu correu este período de forma mais calculista. Não quero dizer que andou em modo poupança de energia, mas em algumas corridas viu-se que esteve a observar um pouco a corrida,” disse Al, em declarações recolhidas pela
In de Leiderstrui.
Van der Poel sempre gostou de atacar cedo e seguir em solitário até à meta. Porém, Al argumenta que recentemente tem esperado pelas voltas finais para desferir o golpe. “Esperou pelo momento, porque estar uma hora inteira na dianteira também gasta muita energia.”
Ten Dam concordou, ligando a abordagem às lições do último inverno. “Também tem a ver com o facto de o Van der Poel ter percebido no ano passado que o ciclocrosse pode morder forte na energia, quando ganhou 12 corridas seguidas.”
Segundo Ten Dam, a estratégia faz sentido. “Tentar ganhar algumas corridas pela eficiência em vez de estar sempre a mostrar os músculos, como o Tadej Pogacar e ele fazem na primavera. É algo claramente pensado.”
Zonhoven não foi um passeio
Ten Dam notou, no entanto, que Van der Poel teve de trabalhar mais em Zonhoven, onde foi sozinho logo na primeira volta e ninguém o conseguiu alcançar. “Isto custou-lhe muito mais potência do que nas outras vitórias, creio. Nessas, muitas vezes ainda esperou resguardado nas rodas.”
Ainda assim, tanto Ten Dam como Al sugeriram que esta abordagem medida impediu Van der Poel de cavar demasiado fundo. “O Mathieu sentiu que andar uma hora na frente tem consequências,” disse Ten Dam. “Talvez depois não consigas treinar tão bem durante uma semana por estares completamente esgotado. Agora acho que parte para Espanha relativamente fresco.”
Zonhoven deu ainda outro exemplo claro da sua superioridade absurda, mesmo quando algo correu mal. Van der Poel revelou após a corrida: “Doeram-me as pernas porque tive de andar muito tempo com esses furos. Mas não entrei em pânico, porque estava num bom dia.”
Mesmo com esse contratempo, a vitória nunca esteve em causa. Al (e todos nós) ficou boquiaberto. “Dois furos, logo após a reta da meta. Frente e trás, certo? Depois ainda é um caminho muito longo até ao posto de material e ele só perdeu 20 segundos,” disse. “Ainda teve de ir mais uma vez às boxes e entrou lá com dois pneus furados. Nem vimos! Esses tubs estão colados e não mexem, mas não é nada agradável.”
Van der Poel pondera retirar-se do ciclocrosse?
Para Al, a vitória dominante diz muito sobre o prazer que Van der Poel ainda encontra no ciclocrosse em 2026.
Resta saber se continuará a competir no próximo inverno. “Talvez salte um ano e se concentre ainda mais na estrada, por exemplo prolongando a campanha da primavera. Talvez queira correr a Amstel e falte a um Mundial uma vez.”
Ten Dam, por seu lado, mostrou-se menos convencido. “Porque imagino que ele também gosta muito disto,” disse. “Entras num estádio em Zonhoven. Tens uma hora de adrenalina e vais para a corrida no teu Lamborghini, sem teres de ficar num hotel. Tomas o pequeno-almoço com a tua namorada, ligas o Lambo e vais para a corrida. E ainda chegas a casa a horas, não é ótimo?”
“Se decidir não fazer ciclocrosse e prolongar a primavera, vai estar sentado num hotel qualquer na Valónia ou em Liège,” acrescentou Ten Dam. “Essa é a alternativa. Acho que aí ele pode preferir fazer duas semanas de ciclocrosse no Natal. Passa por isso com bastante facilidade, por isso nem creio que esteja a perguntar a si próprio se ainda deve correr estes riscos.”