“Acho que avaliaram completamente mal o circuito”: Bart Wellens disseca como a fuga operou um milagre em Milão

Ciclismo
segunda-feira, 25 maio 2026 a 10:00
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Uma etapa plana de uma Grande Volta a terminar em Milão costuma ser garantia de sprint massivo, mas a 15ª tirada da Volta a Itália baralhou completamente as contas. Para choque do pelotão, uma fuga de quatro homens desafiou as probabilidades, resistiu à perseguição e discutiu a vitória, com Fredrik Dversnes a assinar um triunfo surpreendente.
Enquanto alguns corredores frustrados apontaram o dedo ao alegado drafting das motas, o diretor desportivo da Lotto-Intermarché, Bart Wellens, defende que uma combinação brutal de calor extremo, fadiga acumulada após uma dura etapa de montanha no dia anterior e um circuito urbano técnico criou a tempestade perfeita para a surpresa.

Drama com motas ou perseguição mal calculada?

No imediato pós-etapa, a tensão era evidente no pelotão. Corredores como Tim Torn Teutenberg e Elmar Reinders queixaram-se abertamente de que os quatro atacantes beneficiaram de um impulso aerodinâmico indevido por parte das motas da imprensa e da organização que seguiam à sua frente.
Contudo, Wellens, que tem acompanhado ao quilómetro este Giro a partir do carro da equipa, acredita que as formações dos sprinters subestimaram o desenho técnico do circuito final na cidade.
“Acho que avaliaram mal o circuito”, comentou Wellens à Sporza. “A diferença tinha baixado para dois minutos e, no carro, já dizíamos que seria muito difícil fechá-la. Via-se que os corredores a perseguir na 10ª a 15ª posição iam completamente no limite só para aguentar a roda”.

Fadiga acumulada e calor abrasador

O desgaste físico da segunda semana da Volta a Itália também pesou muito. No dia anterior, o pelotão enfrentou uma das etapas mais duras desta edição e, combinado com o calor sufocante, muitos comboios de lançamento estavam de depósito vazio antes mesmo de a perseguição arrancar a sério.
“O tempo quente está a moer toda a gente”, explicou Wellens. “Acho que muitos sofreram imenso ontem. Havia três equipas de sprinters com algo a provar hoje, por causa das quedas na Bulgária e em Nápoles mais cedo na corrida. Queriam mostrar força, mas as pernas simplesmente não responderam”.
Wellens salientou ainda que a logística da prova funciona como um dreno oculto de energia no pelotão. “Tem sido um Giro profundamente desgastante, com todas as longas transferências entre etapas. É a combinação de tudo. Aqueles quatro da frente baixaram a cabeça e foram a fundo desde o quilómetro zero. No final, o Dversnes é um vencedor totalmente merecido”.
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