A 15ª etapa da
Volta a Itália 2026 trouxe mais do que outra defesa bem-sucedida da maglia rosa por
Jonas Vingegaard. O dia ficou marcado pela tensão entre corredores e organização devido ao estado do circuito final em Milão, um traçado considerado pelo pelotão excessivamente perigoso, que levou a uma alteração tardia do regulamento antes da meta.
Os comissários decidiram neutralizar os tempos para a classificação geral a 17 quilómetros do fim, precisamente no início da última volta ao circuito urbano. Uma medida excecional após conversações entre vários corredores e a direção de corrida, com Vingegaard entre os mais vocais.
“Hoje devo ter passado mais tempo no carro do diretor de corrida do que no carro da minha própria equipa”,
brincou o dinamarquês no pós-etapa à Cycling Pro Net. Por detrás do tom leve, contudo, estava uma crítica clara ao desenho do percurso e, em particular, ao piso das ruas de Milão.
O líder do Giro explicou que o desconforto era generalizado desde o reconhecimento do circuito final. Segundo ele, as conversas no pelotão rapidamente convergiram para uma posição comum de exigir mudanças imediatas.
“Enquanto corredores, todos sentimos hoje que talvez este não fosse o circuito mais seguro para competir”, adiantou. Vingegaard acrescentou que falou “com muitos corredores” e, em conjunto, decidiram pressionar a organização a agir antes que ocorresse uma queda grave.
O dinamarquês dirigiu-se diretamente ao carro do diretor de corrida para transmitir as preocupações do pelotão. E, como reconheceu, a resposta da organização foi construtiva.
“Hoje ouviram-nos realmente e fizeram algumas concessões”, notou. Chegou mesmo a agradecer publicamente aos comissários: “Acho que nós, enquanto corredores, também devemos dizer obrigado”.
A neutralização dos tempos da geral permitiu aos favoritos evitar arriscar o Giro num final urbano explosivo e técnico, enquanto a luta pela etapa decorreu normalmente entre sprinters e atacantes do dia.
O último sprint em pelotão tinha sido em Nápoles, onde uma queda alterou o desfecho da jornada e onde corredores e adeptos teceram críticas duras à escolha do final de etapa.
Jonas Vingegaard temeu pela sua segurança
Questionado sobre o que tornava o circuito tão perigoso, Vingegaard foi direto. O problema, disse, não era apenas a tensão habitual de um sprint urbano, mas o estado do piso em praticamente toda a volta.
“O asfalto aqui não era o melhor”, resumiu. Depois elencou uma série de obstáculos que dificultavam o controlo do pelotão: “Havia muitos buracos, muitos ressaltos na estrada praticamente o tempo todo”.
O desconforto era tal que afetava até ações básicas de corrida. “Diria que, basicamente, não houve um único momento em que me sentisse seguro para tentar agarrar o bidon ou tomar um gel”, admitiu.
O dinamarquês apontou ainda as linhas de elétrico, sempre traiçoeiras em qualquer circuito urbano para os profissionais. “Eram muitas, e passar por cima era muito, muito irregular”, explicou.
Cautela apesar da vantagem
Para lá da polémica do dia, Vingegaard falou também da sua posição na classificação geral. Depois de gerir a etapa sem incidentes e manter a liderança, o dinamarquês admitiu estar satisfeito com a margem construída até agora.
“Agora tenho uma vantagem muito boa, com a qual estou muito contente”, disse. Ainda assim, evitou qualquer traço de excesso de confiança apesar da solidez exibida até aqui.
Jonas Vingegaard leva a camisola rosa para a última semana da Volta a Itália
O líder do Giro lembrou que restam muitas montanhas e que a terceira semana é, muitas vezes, decisiva numa Grande Volta. “Ainda há muitas etapas pela frente. A terceira semana é a mais dura aqui”, alertou.
Assim, apesar de vestir de rosa e controlar a corrida, Vingegaard deixou claro que não vai facilitar. “Acho que só se pode dizer que ganhámos quando chegamos a Roma”, concluiu o dinamarquês, mantendo a guarda alta para o que resta de Volta a Itália.