A campanha de 2026 da
Lidl-Trek sofreu um duro revés logo à partida. Na etapa inaugural da
Volta à Comunidade Valenciana,
Mads Pedersen foi forçado a abandonar após uma queda pesada,
resultando numa fratura do pulso e numa clavícula partida. Com a campanha de clássicas de primavera do dinamarquês em risco, os holofotes viram-se para a estrela em ascensão da equipa,
Mathias Vacek.
O “próximo homem a chegar”
Vacek não é estranho à pressão. Considerado um dos maiores talentos do ciclismo, o checo já exibe um currículo impressionante: Campeão da Europa júnior em 2020, vencedor de etapa no UAE Tour aos 19 anos, medalha de prata no Campeonato do Mundo sub-23 e múltiplas vezes campeão checo (fundo e contrarrelógio).
Em declarações à
IDLProcycling após o incidente, Vacek lamentou o infortúnio, mantendo otimismo quanto à recuperação de Pedersen. “O Mads era o líder e o homem da equipa, por isso foi mau para ele e lamento que tenha começado a época assim”, começou Vacek. “Mas é forte mentalmente e voltará em breve ainda mais forte”.
O timing foi especialmente cruel porque Vacek e Pedersen passaram o inverno a construir uma parceria sólida. O plano era que Vacek substituísse Jasper Stuyven (agora na Soudal), um líder “sombra” capaz de vencer se a opção principal ficasse marcada fora da corrida.
Vacek abriu a temporada com 3 top 10 na Volta à Comunidade Valenciana, incluindo um 3º lugar no CRI
“Já fizemos algumas corridas juntos”, explicou Vacek, recordando a química que mostraram na Volta a Itália. “O Mads é alguém que consegue motivar toda a gente a dar 100 por cento. Também passamos muito tempo nos estágios a preparar as Clássicas”.
Com Pedersen de fora, o papel de Vacek em próximas provas como a Omloop Het Nieuwsblad e, potencialmente, o Paris-Nice pode passar de gregário a líder. “Sei que, assim, também posso jogar as minhas cartas. Porque não corremos de forma conservadora. E o Mads não é, de todo, conservador”.
Versatilidade como arma
O próprio Pedersen já endossou o potencial de Vacek, descrevendo as capacidades físicas do jovem checo como “insanas”. Pedersen sublinhou ainda a relação de confiança: “Se todos estiverem a olhar para mim, ele pode aproveitar a sua oportunidade. E eu nunca correrei contra um colega de equipa, disso não há dúvida”.
O diretor desportivo
Steven de Jongh concorda, notando que, se Vacek evitar o azar e as quedas que o travaram no último ano, está pronto para o topo. “O Vacek teve muito azar com quedas no ano passado e vejo claramente que pode dar o salto para o topo, se se mantiver saudável e em cima da bicicleta. Isso travou-o e limitou o seu crescimento. Agora que estão no programa com o Mads, vejo-os também a dar um passo mentalmente”.
Vacek atribui este potencial à recusa em especializar-se. É um corredor que faz de tudo: contrarrelógio, sobe e sprinta de grupos reduzidos, um perfil ideal para o ciclismo moderno.
“Se me focasse numa só coisa, acabaria por ficar aquém”, concluiu Vacek. “A minha versatilidade é a minha força, a combinação de potência e capacidade de subir que tenho. Viu-se isso nos lançamentos que fiz para o Mads no Giro. Esperemos voltar a mostrá-lo em julho no Tour, e algures também poder jogar a minha própria carta”.