Com o anúncio oficial do wildcard atribuído à Q36.5 Pro Cycling Team para a Volta a Itália de 2025, a grande questão que se coloca é: até onde poderá ir uma ProTeam numa corrida tradicionalmente dominada pelas formações do World Tour?
Para a estrutura liderada por Doug Ryder, trata-se de um momento marcante. Desde o seu relançamento em 2023, a equipa tem vindo a crescer de forma sustentada e vive, em 2025, o seu início de época mais bem sucedido. Agora, terá a oportunidade de disputar a sua primeira Grande Volta, com Tom Pidcock como rosto principal de um projeto ambicioso.
Ainda assim, a história recente joga contra as equipas convidadas. No Giro de 2024, as quatro formações ProTeam com wildcards - Israel-Premier Tech, Polti-Kometa, Tudor Pro Cycling Team e VF Group-Bardiani-CSF-Faizanè - animaram etapas, entraram em fugas, mas nenhuma delas conseguiu alcançar uma vitória.
Parte da explicação tem nome e apelido: Tadej Pogacar. O esloveno estreou-se na Corsa Rosa com uma exibição autoritária, vencendo seis etapas e controlando a classificação geral do início ao fim, deixando pouco espaço para surpresas vindas de equipas fora do circuito principal.
Para encontrar a última vitória de uma equipa wildcard no Giro, é preciso recuar até 2019, quando Damiano Cima (Nippo-Vini Fantini-Faizanè) venceu de forma épica a 18.ª etapa, resistindo ao pelotão por escassos metros. Um feito raro e memorável, que permanece como o exemplo mais recente de que o sonho das ProTeams ainda se pode concretizar.
Contudo, desde então, o fosso entre as formações World Tour e as ProTeams só tem aumentado. A disparidade de meios financeiros, estruturas de apoio, rotação de líderes e acesso a tecnologia de ponta tornam cada vez mais difícil competir ao longo das três semanas de uma Grande Volta.
Mas 2025 poderá trazer algo diferente. Com Tom Pidcock como líder, a Q36.5 apresenta um ciclista capaz de vencer etapas com explosividade, de brilhar nas montanhas, de atacar em solitário e de triunfar a partir de uma fuga. Medalhado olímpico, vencedor de clássicas e com uma etapa conquistada na Volta a França, Pidcock é um nome com peso e palmarés, capaz de transformar a participação da equipa numa boa campanha.
Apesar disso, convém manter as expectativas contidas. Para uma equipa estreante, mostrar-se nas fugas, disputar finais de etapa e manter visibilidade mediática já representaria uma estreia sólida. Mas se o britânico encontrar o dia certo e o cenário ideal, a Q36.5 pode muito bem recriar o momento de glória vivido por Cima há seis anos.
A Volta a Itália de 2025 representa uma oportunidade de ouro para a Q36.5. E embora as vitórias das ProTeams sejam cada vez mais raras, não são impossíveis. Com o ímpeto certo, o talento de Pidcock e a ambição de quem tem tudo a provar, a formação suíça será, sem dúvida, uma das mais intrigantes a seguir quando o pelotão se fizer à estrada em maio.