Ainda a recuperar da concussão sofrida no Paris-Nice, Jonas Vingegaard permanece ausente do pelotão competitivo, falhando o regresso inicialmente planeado para a Volta à Catalunha — prova em que acabou por brilhar o seu eterno rival, Primoz Roglic. A ausência do bicampeão da Volta a França deixa no ar uma questão inevitável: quando voltaremos a ver o dinamarquês em ação? E, sobretudo, quando teremos o tão aguardado reencontro com Tadej Pogacar?
Por agora, a resposta é evasiva. Em declarações ao Wielerflits, Grischa Niermann — responsável pelo bloco de competição da Team Visma | Lease a Bike — confirmou que a recuperação está a decorrer positivamente, mas reforçou que toda a planificação gira exclusivamente em torno da preparação para a Volta a França.
"Claro que teríamos gostado de contar com o Jonas na Catalunha, mas isso não foi possível. O mais importante agora é perceber quando estará novamente a 100% — e se ainda poderemos integrar alguma corrida no seu calendário. Mas o foco absoluto é o Tour."
Esta abordagem de precaução reflete uma visão consolidada dentro da Visma: Vingegaard não corre por correr. Cada competição tem de servir um propósito específico — e, neste momento, só faz sentido integrar provas que contribuam diretamente para o grande objetivo de julho.
Niermann admitiu que se pondera a possibilidade de incluir uma corrida extra, mas alertou para as limitações logísticas: "Algumas corridas que vi sugeridas nem fazem parte do nosso planeamento, e não temos margem para encaixar subitamente uma nova prova por etapas. Se houver uma inclusão, tem de ser estratégica."
A verdade é que Vingegaard já demonstrou no passado que consegue atingir o seu pico de forma a partir de blocos de treino em altitude cuidadosamente estruturados, mesmo com pouca rodagem competitiva. Foi isso que fez em 2024 — regressou diretamente ao Tour e venceu com autoridade.
Ainda assim, a paragem forçada obrigou a equipa a reavaliar o plano. Niermann foi claro: se for adicionada uma corrida, será apenas se oferecer valor real em termos de preparação física e afinação competitiva.
"Não vamos enviá-lo para uma corrida que atrapalhe o treino em altitude. Se Jonas alinhar, é para disputar a vitória. Ele não entra em provas a meio gás."
Surgem naturalmente especulações em torno de possíveis datas para o regresso. A Liège-Bastogne-Liège aparece como uma das hipóteses, à semelhança da Volta à Romandia. Ambas oferecem um elevado nível competitivo e são compatíveis com a abordagem seletiva de Vingegaard. Mas nada está fechado.
"Estamos a analisar essas opções. Mas volto a repetir: se for para correr, é para lutar pela vitória. E isso significa estar a 100%."
Desde o Tour do ano passado que Pogacar e Vingegaard não se enfrentam. O regresso do esloveno à Volta à Flandres e a estreia confirmada no Paris-Roubaix tornam a ausência do dinamarquês ainda mais sentida. A possibilidade de os vermos lado a lado em Liège entusiasma os adeptos — e reaquece a expectativa por um novo capítulo na rivalidade mais intensa do ciclismo moderno.
Para já, tudo está em aberto. Mas uma coisa é certa: Vingegaard só voltará quando puder ganhar. E o Tour continua a ser o único alvo que realmente conta.
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— Team Visma | Lease a Bike (@vismaleaseabike) April 1, 2025
Racing across Flanders tomorrow! 💪 pic.twitter.com/cnedQFnE9U