Antevisão 2a etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes: Nova fuga vitoriosa na etapa mais longa e em véspera de contrarrelógio coletivo?

Ciclismo
segunda-feira, 08 junho 2026 a 10:40
Iván Romeo celebra a vitória em O Gran Camiño com a Movistar Team.
O Tour Auvergne-Rhône-Alpes 2026, anteriormente conhecido como Critérium du Dauphiné, disputa-se de 7/6 a 14/6. A prova francesa é amplamente reconhecida como a preparação mais importante para a Volta a França e um dos grandes eventos World Tour do ano. Fazemos a antevisão da 2ª etapa.
Jacques Anquetil, Raymond Poulidor, Eddy Merckx, Bernard Thévenet, Bernard Hinault, Greg LeMond e Lance Armstrong estão entre os muitos nomes que já levantaram os braços no antigo ‘Dauphiné’. Nos últimos anos, a corrida não perdeu prestígio, mantendo a sua aura com vitórias de Bradley Wiggins, Chris Froome, Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar antes da Volta.
É uma corrida montanhosa e este ano talvez mais do que em qualquer edição recente. A etapa inaugural, logo à partida, pode ser decisiva para a geral; e os dois últimos dias rivalizam com muitas etapas de montanha da Volta. Haverá duas oportunidades para os sprinters, embora ambas onduladas e difíceis de controlar; e um contrarrelógio coletivo também em terreno quebrado que servirá de preparação específica para o dia de abertura da Volta.

Perfil da 2ª etapa: Saint-Martin-le-Vinoux - Le Puy-en-Velay

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Etapa 2: Saint-Martin-le-Vinoux - Le Puy-en-Velay, 233,5 quilómetros
A segunda jornada da corrida apresenta-se como uma das mais imprevisíveis de toda a semana. O percurso leva o pelotão para o coração do Maciço Central e reúne todos os ingredientes para uma etapa difícil de controlar, tanto para as equipas dos sprinters como para as formações interessadas na classificação geral.
Será a jornada mais longa da corrida, com 233 quilómetros e 3700 metros de desnível acumulado. Apesar de não incluir nenhuma subida verdadeiramente decisiva ou de grande dureza, o constante sobe e desce promete desgastar os corredores desde os primeiros quilómetros.
As dificuldades começam cedo. A principal ascensão da primeira metade da etapa surge praticamente após o arranque e apresenta 7,9 quilómetros com uma inclinação média de 6,2%. A combinação desta subida com outra contagem de montanha nas fases iniciais deverá favorecer uma luta intensa pela formação da fuga do dia.
Depois desse arranque seletivo, a estrada continuará longe de oferecer descanso. O percurso atravessa uma sucessão de colinas e falsos planos que podem tornar a perseguição aos escapados uma tarefa complicada para o pelotão. Entre essas dificuldades destaca-se uma longa subida de 21 quilómetros com uma pendente média de 4%, onde estará instalado um sprint de montanha intermédio. O topo surge a cerca de 100 quilómetros da meta.
Caso as equipas consigam manter a corrida sob controlo até esse ponto, poderá abrir-se espaço para uma estratégia mais orientada para uma chegada em grupo. No entanto, o perfil da parte final da etapa sugere que essa tarefa estará longe de ser simples.
Nos derradeiros quilómetros surgem duas contagens de montanha capazes de provocar diferenças. A primeira aparece a 31 quilómetros da meta e apresenta 4,2 quilómetros com uma inclinação média de 6,6%. Já a última dificuldade do dia, situada a apenas 12 quilómetros do final, tem 2 quilómetros a 6,8% e poderá servir de plataforma para os corredores mais explosivos lançarem ataques decisivos.
Entre estas duas subidas, o terreno permanece irregular e favorável a novas ofensivas, aumentando as dificuldades para quem tiver de assumir a perseguição. Qualquer hesitação poderá revelar-se fatal.
A aproximação à meta em Le Puy-en-Velay será feita em descida, antes de um final plano mas bastante técnico. As inúmeras curvas e mudanças de direção nos quilómetros finais reduzem significativamente o tempo disponível para neutralizar eventuais ataques, o que pode abrir a porta a uma chegada isolada ou em grupos reduzidos, em vez de um sprint clássico do pelotão.

Favoritos

A etapa de ontem abriu diferenças importantes, há apenas 44 ciclistas a menos de 3 minutos na geral e ninguém quererá controlar 233km. A Decathlon de Paul Seixas já perdeu Riccitello e vimos Aurélien Paret-Peintre e Nico Prodhomme a descolar cedo, não vão queimar a equipa na véspera do contrarrelógio coletivo, o mesmo é válido para as outras equipas mais fortes da geral: UAE, INEOS, Lidl-Trek, Visma...
A EF, do camisola amarela Alex Baudin, ficará satisfeita com uma fuga numerosa com gente atrasada, podem também tentar incluir Ben Healy na escapada, o irlandês está a 2:56, e mudar a amarela de ombros dentro da mesma equipa. Esta é uma etapa perfeita para ele, no entanto, duvido que outras equipas permitam este cenário.
alexbaudin
Baudin irá segurar a amarela?
Pello Bilbao cedeu 11 minutos na etapa inicial, terá sido dificuldade ou poupança para hoje? Parece-me mais a segunda opção, certamente quererá integrar a fuga com mais colegas de equipa e lutar pela vitória.
Iván Romeo foi outra das deceções ontem, muitos apontavam o espanhol como candidato ao top 10, mas perdeu 21 minutos e isso está fora de questão, mas tem aqui uma grande oportunidade de vencer uma etapa, repetindo o triunfo de 2025, curiosamente também uma etapa com mais de 200km e muitas subidas encadeadas.
Na etapa de ontem, coloquei Benoît Cosnefroy entre os favoritos, foi um tiro ao lado porque o francês descolou no Côte de Rousset, talvez a sua forma recente me tenha entusiasmado, mas a 2ª etapa parece mais adequada às suas características, menos dura, mais longa e com um final técnico que o pode fazer destacar-se.

Outsiders

Tobias Johannessen, top 10 aqui e no Tour em 2025, perdeu 3:20 ontem, talvez explicado por vir de altitude e serem os primeiros quilómetros, o corpo já levou o choque e agora é hora de reagir, integrando uma fuga e começando a subir lugares; a Tudor também teve um dia negativo, ninguém chegou no grupo dos favoritos e certamente estarão ao ataque, com Yannis Voisard e Hannes Wiskch. Lorenzo Fortunato também cedeu algum tempo, sabemos que por vezes entra um pouco desligado e usa fugas para subir na geral, isso poderá acontecer hoje, não descartando que esteja na luta pela etapa. Finn Fisher-Black, Emanuel Buchmann, Marco Frigo, Quinn Simmons, Simone Velasco e Mauri Vansevenant também são bons trepadores/punchers e com o tempo de atraso terão liberdade dada pelo pelotão.
Se o pelotão chegar compacto, há ciclistas que esfregarão as mãos depois da etapa de ontem, desde logo o 2º classificado Ramses DeBruyne, mas também Léo Bisiaux, Maxim Van Gils, Harold Tejada ou os próprios Isaac del Toro, Matthias Skjelmose e Paul Seixas.

Previsão para a 2ª etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes 2026

*** Iván Romeo, Pello Bilbao, Benoît Cosnefroy
** Quinn Simmons, Ben Healy, Tobias Johannessen, Finn Fisher-Black
* Lorenzo Fortunato, Maxim Van Gils, Ramses DeBruyne, Léo Bisiaux, Isaac del Toro, Paul Seixas
Escolha: Iván Romeo
Original: Miguel Marques
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