A época de 2025 de
Sarah Gigante foi um estudo de contrastes. A australiana assinou algumas das subidas mais impressionantes e surpreendentes do ano antes de ver a sua campanha interrompida por lesão, falhando o Campeonato do Mundo de Estrada da UCI
depois de partir o fémur numa queda em treino, em agosto.
Apesar dos contratempos, Gigante aproveitou a época para refletir e trabalhar áreas a melhorar, sobretudo a descida, alvo de crescente escrutínio.
Descidas: trabalho em curso
Em declarações ao podcast Domestique Hotseat, Gigante explicou porque considera que as suas capacidades a descer estão bem abaixo das das adversárias. “Acho que muito se deve à experiência em corrida, porque não tenho muitas oportunidades de descer montanhas em pelotões, e tive pouquíssimos dias de competição”, abalizou. “Sou profissional há bastante tempo, mas se continuas a ter pausas de seis meses pelo meio, continuas enferrujada”.
Apontou ainda aspetos técnicos, incluindo o equipamento, que têm influência. “Subestimei mesmo a diferença. As rodas de corrida… pode soar a desculpa, mas coisas como habituar-me à sensação das rodas de perfil muito alto com que corremos, em comparação com as minhas rodinhas de treino lá de casa”, afirmou Gigante.
Gigante teve uma época de afirmação em 2025
Gigante revelou que alterações feitas com a sua equipa
AG Insurance - Soudal após a
Volta à Suiça Feminina (onde foi 12ª na geral, na sua segunda corrida da época) e antes da
Volta a Itália Feminina (onde terminou em terceiro) ajudaram a resolver alguns problemas, sobretudo na travagem.
“Não conseguia alcançar bem os travões quando ia nos drops. Acho que foi algo que ajustámos depois da Suíça e antes do Giro, e já senti que fez uma enorme diferença”, indicou. “Os travões estão longe e tenho mãos pequenas, e nos drops é simplesmente mais difícil chegar às manetes”.
Aos 24 anos, acredita que a sua fraca técnica de descida é falada em demasia nos media porque sobe muito bem. “Acho que toda a histeria mediática apareceu porque a minha capacidade de subida já é super boa. Entre a minha escalada e a minha descida há um grande fosso. Não é necessariamente porque sou a pior do mundo a descer e porque sou mais lenta do que a tua avó, como muita gente gosta de me dizer”.
“Haters gonna hate”
Gigante confirmou o seu nível em alta montanha esta época, com duas vitórias de etapa na Volta a Itália. Mas a maior visibilidade não trouxe só coisas positivas, sobretudo durante a
Volta a França Feminina.
“As pessoas que sentiram necessidade de me enviar mensagens pessoalmente, em privado, ou comentar nas minhas publicações”, disse. “Tenho a certeza de que, se for à procura de ódio, vou encontrá-lo. Mas era mesmo preciso enviarem-me mensagens diretamente?”
Gigante mantém o otimismo apesar do ódio online de quem “claramente não tem mais nada para fazer”. O crescimento exponencial do ciclismo feminino mostra que o futuro é risonho.
“A cobertura do ciclismo feminino é incrível e está a crescer sem parar. Mas, claro, isso traz algumas desvantagens da maior exposição. Por isso, eu levo com isso pela equipa. Se significa que o ciclismo feminino fica maior e melhor, então vale totalmente a pena”, concluiu.