"Disse-lhe que precisava de fazer relevos mais longos": Daan Hoole explica o momento em que gesticulou para Paul Seixas no contrarrelógio por equipas

Ciclismo
quinta-feira, 11 junho 2026 a 13:30
Daan Hoole gestures to paul Seixas during the team time trial
Paul Seixas viveu na passada terça-feira uma experiência inédita ao disputar o primeiro contrarrelógio coletivo da carreira ao serviço da Decathlon CMA CGM, na 3ª etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes. A formação francesa terminou a etapa na sexta posição, uma prestação algo abaixo do esperado, que redundou em perdas de tempo de Seixas para a maioria dos rivais na geral, a saber Matteo Jorgenson, Oscar Onley, Kévin Vauquelin, Juan Ayuso e Mattias Skjelmose, ganhando apenas tempo a Isaac del Toro.
Durante o esforço, as câmaras captaram um momento curioso envolvendo o jovem francês de 19 anos e o neerlandês Daan Hoole. Numa das secções do percurso, Hoole foi visto a gesticular na direção de Seixas, dando a entender que lhe pedia para moderar o ritmo. Após a chegada, o corredor explicou o episódio e afastou qualquer polémica.
Segundo Hoole, a equipa viu-se obrigada a adaptar a estratégia depois de perder Stefan Bisseger antes do primeiro ponto intermédio, logo na primeira subida. A ausência do especialista suíço aumentou a responsabilidade de Seixas, que passou a assumir mais tempo na frente do grupo para ajudar a manter a velocidade.
O problema surgiu porque os relevos do jovem francês, especialmente nas zonas de subida, estavam a impor um ritmo demasiado elevado para alguns dos companheiros. O gesto de Hoole teve apenas como objetivo pedir esforços mais prolongados e menos explosivos, de forma a preservar a coesão da equipa.
“O Paul é, claro, um ciclista muito forte. É um dos melhores trepadores do mundo. Quando ele puxa na subida, as coisas naturalmente aceleram”, explicou Hoole aos jornalistas no final da etapa.
“Tínhamos perdido o Stefan [Bisseger], por isso disse-lhe que precisava de fazer relevos mais longos. Acabou por o fazer e esteve super forte. Verdadeiramente o motor principal da nossa equipa. E então notas que não está a ir suficientemente rápido. Aí precisas de mais corredores”.
Para a Decathlon CMA CGM, este contrarrelógio coletivo serviu também como um importante teste antes da Volta a França. A equipa pretende chegar à Grande Départ com a máxima preparação possível, especialmente tendo em conta as ambições depositadas em Seixas, apontado como uma das maiores promessas do ciclismo mundial e um dos nomes a seguir nos próximos anos.
Hoole acredita, contudo, que o contrarrelógio coletivo que abrirá a Grande Boucle será mais favorável às características da equipa. Nesse dia 4 de julho, os ciclistas enfrentarão um esforço de 19 quilómetros, maioritariamente planos e com passagens por zonas históricas de Barcelona, como a Sagrada Família, Port Olimpic ou a Casa Batlló, comtemplando ainda uma passagem pela subida de Montjuic (900m a 5,4%) e com final também inclinado, numa rampa de 700 metros a 7,9%. O neerlandês considera que o percurso da capital catalã apresenta menos dificuldades na fase inicial e permitirá uma gestão mais simples dos esforços.
“No Tour, é um contrarrelógio diferente”, afirmou. “Diria até mais fácil, porque é plano e depois a subida. Agora é subida e depois plano. Portanto, tens de encontrar esse equilíbrio entre ir forte na subida, mas manter os homens mais pesados a bordo”.
O corredor resumiu depois de forma bem-humorada a estratégia ideal para a corrida francesa.
“No Tour, é simplesmente chegar à subida o mais rápido possível e desejar boa sorte ao Paul. Depois, ele segue até à meta”.
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