É fim de semana de
Paris-Roubaix e adivinha-se um duelo de titãs para os adeptos.
Tadej Pogacar e
Mathieu van der Poel chegam no auge da forma
e enfrentam o Inferno do Norte, onde tudo pode acontecer.
Johan Bruyneel e Spencer Martin anteciparam o que poderá decidir o desfecho do bloco de clássicas em empedrado.
A dupla analisou também a Volta ao País Basco que, até à 5ª etapa, vinha a ser dominada por Paul Seixas. Embora em segundo plano numa semana monopolizada pela Volta à Flandres e Roubaix, o brilho do luso descendente transbordou os monumentos e reaqueceu os temas Volta a França e mercado de transferências,
com a Red Bull - BORA - Hansgrohe alegadamente a juntar-se à UAE Team Emirates - XRG e à INEOS Grenadiers na corrida pela sua contratação.“Ele vai fazer o Tour. Não há outra forma de não o fazer, penso eu, a menos que aconteça algo inesperado. Vejo-o lá em cima com o Vingegaard. Isto, isto é nível Vingegaard, creio”, antecipou Bruyneel no podcast The Move. O nível do jovem de 19 anos é sem precedentes para a idade, e é plausível que alinhe na Volta a França este verão, onde já poderá discutir a geral com os melhores, se mantiver a consistência.
Spencer Martin sublinhou a força exibida pelo francês, cuja forma atual supera a já impressionante de fevereiro. “Mas o que é louco é que o Ayuso bateu o Paul Seixas no Algarve. E depois, avançando para o País Basco, já nem parecem estar na mesma conversa. O Seixas parece significativamente melhor do que no início do ano, o que é… uma progressão assustadora”.
Pogacar versus van der Poel no Paris-Roubaix
Entretanto, no norte de França, os setores de empedrado prometem impacto estrondoso, com todos os especialistas presentes na rainha das clássicas do pavé. Apesar de um pelotão luxuoso e com várias estrelas no topo, o nível do ‘duo’ é tão extraordinário que custa vislumbrar um desfecho diferente.
Pogacar venceu todas as corridas em que alinhou até agora e, embora o traçado favoreça fisicamente van der Poel, o embalo do Campeão do Mundo nesta primavera parece imparável. “Mas eu penso de forma diferente, e isso é tirando a sorte da equação, o azar pode acontecer e vai acontecer”, acrescentou Bruyneel.
“Não sabemos qual dos favoritos será afetado por isso. Lembrem-se do ano passado, quando o movimento decisivo ia com Pogacar, van der Poel e Philipsen. O Philipsen furou… Como toda a gente vai dizer Pogacar, eu vou dizer Mathieu van der Poel”.
Em Roubaix, a colocação e o controlo da bicicleta pesam mais do que em qualquer outra corrida do calendário. Somando o nível físico de van der Poel, resulta numa combinação letal, razão pela qual venceu as últimas três edições.
“Ele é o senhor Paris-Roubaix, acho que é de longe o mais habilidoso no empedrado. Especialmente Paris-Roubaix é aquela corrida em que, no duelo van der Poel versus Pogacar, conta mais a potência absoluta do que a relação potência/peso. Por isso, creio que o van der Poel fará quatro seguidas”.
“Acho que é o melhor corredor de sempre no empedrado”, vai mais longe Martin. “Quer dizer, ter quatro, conseguir quatro Flandres, obter três vitórias na Flandres tão depressa quanto conseguiu. E, se ganhar no domingo, chegar a quatro vitórias em Roubaix em quatro anos. É absurdo contra concorrência muito forte”.