A ascensão meteórica de
Paul Seixas tem sido tema recorrente no pelotão profissional nos últimos meses e o francês tem correspondido a todo o potencial que lhe colocaram aos ombros. Venceu agora a
La Flèche Wallone e segue para a Liege-Bastogne-Liege com a enorme tarefa de enfrentar Tadej Pogacar.
“O Paul concluiu de forma mágica. Fazer isto aos 19 anos é incrível. É um grande campeão como o Tadej Pogacar e o Remco Evenepoel, corredores que conseguem vencer voltas por etapas e clássicas de um dia”, disse o diretor desportivo Julien Jurdie em declarações à
Sporza.
A Decathlon CMA CGM tem um diamante em bruto: um corredor que brilha como voltista, contrarrelogista e classicoman. É o primeiro a surgir desde que Tadej Pogacar atingiu o seu melhor nível que parece capaz de o enfrentar, e os adeptos terão um aperitivo desse duelo já este domingo.
Na clássica belga a meio da semana, a corrida veio compacta até ao Mur de Huy,
onde o jovem de 19 anos teve a melhor explosão, num pelotão que misturava trepadores e especialistas de clássicas na dianteira.
Valor de Seixas aumenta exponencialmente
O colega de equipa Stan Dewulf só teve elogios para o francês, em declarações à
Wielerflits: “Ficou claro, no momento em que ele entrou no grupo, que não estávamos apenas a correr por um resultado. Havia uma verdadeira crença de que podíamos ganhar. Não top 5, não pódio, mas vencer a corrida”.
O belga tinha razão, e o seu apoio foi decisivo no triunfo da equipa. “Ainda damos por nós a pensar: como é possível? Foi a primeira vez que correu aqui. Mal conhece a subida e, mesmo assim, finaliza daquela forma. É difícil de entender”.
Neste caso valem as pernas, mas o posicionamento de Seixas também foi exemplar, e o resultado nasceu de um esforço coletivo que entregou outra grande vitória à equipa francesa. “Isto está a crescer todas as semanas. E, honestamente, é merecido. Mesmo que um corredor de 25 anos fizesse isto, seria impressionante. Mas com a idade dele, é algo especial. Não se vê muitas vezes”.
Aos 28 anos, Dewulf não esconde a admiração pela joia que está a levar a equipa ao topo do ciclismo a um ritmo incrível. “Ele é muito calmo. Nota-se na forma como fala com as pessoas, com a equipa, com os media. Tem muito respeito e isso ajuda-o a lidar com tudo”.
Poderá estar na Volta a França? Dewulf também não tem uma resposta direta: “Acho que ele nem sabe ainda o que quer”. Após a Volta ao Algarve, Faun-Ardèche Classic, Strade Bianche e Volta ao País Basco, a tendência de evolução mantém-se.
“As coisas estão a mudar muito depressa. Cada resultado muda novamente o quadro. Acho que o seu valor sobe todas as semanas. Provavelmente meio milhão de cada vez”, brincou. Mas, ao mesmo tempo, isso pode ser literal, já que a Decathlon entrou numa fase-chave de negociações em que terá de tentar segurá-lo face ao interesse da UAE, da Red Bull e até da INEOS Grenadiers, que terá um patrocinador francês a partir do próximo ano.
Poderá Seixas repetir a proeza na Liège este domingo? “Vai ser uma corrida completamente diferente”, argumentou Dewulf. “O Pogacar já provou tanto. Mas se o Paul voltar a surpreender, então tudo é possível”.