“Fica mais difícil todos os anos, mas continuo a gostar” - Adam Yates não planeia seguir o irmão gémeo Simon

Ciclismo
quarta-feira, 18 fevereiro 2026 a 15:00
adamyates simonyates
Pela primeira vez em mais de uma década, Adam Yates corre no pelotão sem o irmão gémeo ao lado. A decisão súbita de Simon de deixar o ciclismo profissional no início de 2026 abalou a modalidade, tanto mais por chegar poucos meses após uma das épocas definidoras da sua carreira.
Falando a partir do UAE Tour, Adam deixou claro que, para si, a decisão não surgiu do nada e que não desencadeou qualquer reflexão imediata sobre o seu próprio futuro.

Viver com as repercussões de uma decisão chocante

A retirada abrupta de Simon Yates no início de janeiro caiu como um trovão no pelotão. Um vencedor de Grandes Voltas a afastar-se enquanto ainda compete ao mais alto nível é raro no ciclismo moderno, e o momento deixou equipas, rivais e adeptos a tentarem digerir as implicações.
Para Adam, contudo, a conversa já tinha acontecido em privado. Explicou que os irmãos falaram sobre as intenções de Simon muito antes do anúncio, ainda que o facto de estarem em continentes diferentes não tenha ajudado.
Adam e Simon Yates juntos na etapa final da Volta a Itália 2025
“Não fiquei surpreendido, porque já tínhamos falado sobre isso os dois”, disse Adam em declarações recolhidas pela Sporza. “Foi um pouco complicado, porque eu estava na Austrália e o Simon na Europa. Com a diferença horária, não foi fácil conversar a fundo”.
Esse contexto ajuda a explicar porque é que Adam parece tranquilo perante uma situação que deixou grande parte do mundo do ciclismo desconcertada. Do seu ponto de vista, Simon tomou uma decisão clara e ponderada, não um impulso emocional.
“Ele sabia o que queria e decidiu. Estou muito feliz por ele e por tudo o que conquistou na carreira”, acrescentou Adam.

Caminhos distintos, por agora

Enquanto Simon desfruta agora da vida fora das corridas, Adam segue o seu caminho na UAE Team Emirates - XRG, garantindo que as exigências do pelotão moderno não lhe cortaram a motivação.
“Não parece estranho, porque já corríamos há vários anos em equipas diferentes”, disse, ao abordar a realidade de competir sem o gémeo pela primeira vez em 12 anos.
Rejeitou também a ideia de que a decisão de Simon pudesse provocar um movimento paralelo da sua parte. Questionado se o facto de os gémeos pensarem muitas vezes de forma semelhante poderia estender-se aos planos de retirada, Adam foi taxativo. “Ainda não”, brincou. “Tenho pelo menos um contrato até ao final de 2027 com a UAE.”
Essa resposta fala diretamente para o debate mais amplo desencadeado pela saída de Simon. A sua retirada alimentou a discussão sobre burnout, a subida do nível competitivo e se o desporto está a exigir demasiado, demasiado cedo, aos seus principais corredores. Adam não nega que o desafio aumenta, mas o prazer mantém-se intacto.
“O nível no pelotão continua a subir e fica mais duro todos os anos”, afirmou. “Mas continuo a gostar da bicicleta, das corridas e do treino.”

Duas carreiras, dois desfechos

A decisão de Simon Yates deixou um vazio notório nas fileiras de elite e levantou questões sobre como as equipas se adaptam quando um corredor comprovado de Grandes Voltas se afasta sem aviso. Também acentuou o contraste entre dois irmãos que partilharam grande parte das carreiras, mas ocupam agora lugares muito diferentes no pelotão.
Para Adam, a mensagem é simples. A retirada do gémeo foi compreendida, respeitada e até antecipada, mas não é um guião que sinta necessidade de seguir. Pelo menos por agora, o desgaste do ciclismo profissional continua a atraí-lo, mesmo sendo cada vez mais exigente a cada temporada.
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