A 52ª
Volta ao Algarve arranca amanhã e traz como principal foco o reencontro competitivo entre
João Almeida e
Juan Ayuso, agora em equipas distintas, depois de terem partilhado balneário na
UAE Team Emirates - XRG. O português, que foi segundo classificado na edição anterior, então superado por Jonas Vingegaard, ausente este ano, encara com confiança o duelo com o espanhol, atualmente ao serviço da Lidl-Trek.
"É uma rivalidade saudável e vamos gostar de correr um contra o outro", afirmou João Almeida, esta terça-feira, durante a conferência de imprensa de apresentação da prova, na Câmara Municipal de Albufeira,
em declarações recolhidas pelo Jornal Record. "O Juan é muito bom. Somos ciclistas similares, talvez ele seja mais forte do que eu no 'crono'. Na montanha, somos equivalentes. Penso que será uma boa corrida e que nos vamos divertir", acrescentou.
Depois do segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana, apenas batido por Remco Evenepoel,
o corredor português garante que chega determinado. "Dar o melhor". Reconhece, no entanto, o nível elevado da concorrência. "Sabemos que ganhar é difícil, ainda para mais com concorrentes bastante fortes, mas estamos preparados, com boas sensações e esperemos que corra tudo bem, sem azares", referiu, valorizando a importância da Algarvia no calendário internacional.
Considera-a "uma corrida com muito prestígio e valor internacional bastante alto". Correr em casa acrescenta motivação extra: "Sendo a minha corrida de casa, cá em Portugal, tem um sentimento especial e ter o povo a apoiar-nos é ainda mais especial". Questionado sobre a última vitória portuguesa, respondeu: "Não me lembro a última vez que um português ganhou aqui".
Do outro lado estará Juan Ayuso, que se estreia em Portugal como sénior e também inicia um novo capítulo com a Lidl-Trek. O espanhol mostrou-se satisfeito com a mudança. Disse estar "feliz" na nova estrutura e reconheceu afinidades com o antigo colega. "Somos muito semelhantes a lidar com a pressão e o stress. Somos bastante calmos no autocarro, mas será a primeira vez que estaremos em autocarros diferentes", observou.
Sobre o perfil da prova, destacou a variedade de desafios. A Volta ao Algarve "é uma corrida muito completa e boa para a preparação". "Tem tudo: contrarrelógio, duas chegadas em alto diferentes, uma curta explosiva, outra mais longa, duas etapas ao sprint onde também vai haver tensão", detalhou.
O pelotão parte de Vila Real de Santo António esta quarta-feira e enfrentará 673,7 quilómetros até à tradicional chegada ao Alto do Malhão, no domingo. Antes disso, a primeira seleção importante deverá surgir na quinta etapa, com a ascensão à Fóia, este ano por uma vertente distinta e mais exigente. Almeida identifica essa jornada como determinante. "É a etapa que mais se adequa a mim. Este ano uma subida bem mais dura, adequa-se a mim e ao Juan. O contrarrelógio é muito bom, para puros especialistas. O Malhão também me assenta bem, é uma etapa bastante dura e tudo pode acontecer”.
Também Ayuso antevê diferenças na serra. "É uma subida muito dura. É o dia onde mais diferenças podem ser feitas", concluiu.