“Finalmente de volta… o chefe de fila, sem discussão” - Javier Ares saúda o regresso de João Almeida e antecipa a Volta à Catalunha

Ciclismo
segunda-feira, 23 março 2026 a 14:30
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A época velocipédica mal começou e já ficou gravada na memória recente dos adeptos. A exibição de Tadej Pogacar na Milan-Sanremo permanece vívida, ainda “a piscar”, como descreve Javier Ares no seu canal de YouTube, após um desses momentos que transcendem o calendário. Mas o ciclismo não pára. Muda de palco, de paisagem e de narrativa, preservando a sua essência competitiva. É tempo de virar a página e focar numa das grandes provas do início de época: a Volta à Catalunha.
“Ainda a piscar depois do que vimos na Milan-Sanremo, o espetáculo de Tadej Pogacar, uma página indelével na história do ciclismo”, diz Ares, enquadrando a escala do momento. Mas vira rapidamente o foco: “Seria tremendamente injusto, porque a época só agora começou”. Entra em cena a Volta à Catalunha, o próximo capítulo essencial.
A corrida catalã dispensa apresentações, mas exige contexto. Ares sublinha o seu peso histórico: “Devemos lembrar que é a quarta corrida mais antiga… foi em 1911 que esta prova arrancou”. Apenas o Tour, a Volta à Bélgica e o Giro são mais antigos entre as corridas por etapas. Esse dado, por si só, explica a relevância de um evento que evoluiu de cariz local para referência internacional.
Ele enfatiza esse crescimento sustentado: “A corrida tem vindo a crescer… a partir dos anos 60… com nomes como Jacques Anquetil, Merckx, Ocaña, Gimondi.” Essa evolução cimentou o seu prestígio, mais tarde reforçado por vencedores como Miguel Indurain e Alejandro Valverde.
Para lá da história, esta edição tem apelo imediato: um duelo entre figuras cimeiras do pelotão. Ares diz-o sem rodeios: “Aqui temos mais um grande duelo da época”. Dois nomes em palco central: Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel.
Jonas Vingegaard, estrela global do ciclismo
Jonas Vingegaard, favorito a vencer a Volta à Catalunha
O veredito sobre o dinamarquês é firme: “Não esqueçamos que Vingegaard é o grande favorito”. Chega após um Paris–Nice autoritário e com uma equipa totalmente comprometida com ele. “Terá a equipa toda à sua disposição… não há a mínima dúvida face ao poder de fogo que traz”, acrescenta Ares, sublinhando o seu estatuto.
Do outro lado, Evenepoel surge como alternativa. Um corredor que suscita dúvidas, mas também entusiasmo: “Depois das dúvidas que possam ter surgido… precisa agora de confirmar todos os bons sinais”. A Catalunha é o palco ideal para aferir o seu real nível frente à elite.
Ainda assim, reduzir a corrida a um frente a frente seria simplista. O próprio Ares alerta para a profundidade do pelotão: “Há pelo menos sete ou oito equipas com enorme potencial”. Bora, Lidl–Trek, UAE, Movistar e Ineos apresentam blocos prontos para lutar pela geral.
Equipa a equipa, as opções são vastas. Na UAE, o foco recai em João Almeida: “Finalmente de volta… o chefe de fila, sem discussão”. Na Movistar, as atenções centram-se em Enric Mas e noutros à procura de afirmação: “Tem de estar entre os melhores”. Já na INEOS Grenadiers, a responsabilidade recai em corredores como Carlos Rodríguez e outros líderes emergentes, como Oscar Onley.
Como é habitual, o percurso será juiz e protagonista. Ares identifica-o como um dos grandes atrativos da prova: “É uma das corridas por etapas mais compactas e melhores do calendário”. Não é figura de estilo. A estrutura combina etapas traiçoeiras com uma segunda metade claramente montanhosa.

Etapas iniciais da Volta e pontos-chave

Os primeiros dias, embora aparentemente mais acessíveis, escondem armadilhas: “Os últimos 25 quilómetros… com três ou quatro ‘paredes’ perto da meta que podem arruinar as hipóteses dos sprinters”. Um selo da Volta à Catalunha, onde nada é totalmente previsível.
A seleção real começa na quinta-feira: “É aí que o espetáculo arranca… um perfil totalmente montanhoso repartido pelas últimas quatro etapas”. Subidas como Vallter 2000 e La Molina vão provocar diferenças, com ascensões longas e exigentes que favorecem os trepadores puros.
Ares coloca os números na mesa: “11 quilómetros a 7,6%… 16 quilómetros a 7,2%”. Indicadores que apontam para fadiga acumulada decisiva antes do final em Barcelona, onde o circuito de Montjuïc voltará a estar no centro do palco”.
Essa chegada à capital catalã é uma assinatura: “Com todos os ingredientes, todos os atrativos e luta sem quartel”. Historicamente, tem proporcionado espetáculo e pode ainda ser decisiva para a geral.
Para lá do resultado, a Volta cumpre uma função estratégica no calendário. Ares é claro: “Vai dar-nos uma medida real… com vista à Volta a Itália”. Nesse sentido, a prova é um laboratório competitivo para aferir forma e afinar objetivos.
O contexto mais amplo acrescenta interesse. Provas sobrepostas e o arranque das Clássicas compõem uma semana cheia de ciclismo: “Temos uma semana cheia”. Nesse cenário, a Volta destaca-se como foco principal.
Em suma, a corrida catalã regressa ao centro do mapa ciclístico. Com história, um pelotão de topo e um traçado exigente, tem todos os ingredientes para se afirmar como um dos grandes espetáculos da época.
Como resume Ares, “é uma das corridas mais reconhecíveis do calendário… com um percurso muito completo e altamente montanhoso”. Uma mistura que garante drama e, mais uma vez, nos permitirá medir alguns dos melhores do mundo num cenário de máxima exigência.
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