“Fiquei mesmo arrependido por recusar essa oferta”: Matej Mohoric recorda a saída do UAE nos primórdios para correr pela Bahrain

Ciclismo
sexta-feira, 20 fevereiro 2026 a 14:00
Matej Mohoric
Ao longo dos anos, Matej Mohoric construiu a reputação de atacante destemido (e descensor) que encontra caminhos improváveis para vencer. Em 2016, porém, ainda era um novato, com “apenas” o título mundial sub-23 de 2013 no palmarés. Para agravar, surgiu o choque: a sua equipa, a Lampre-Merida, esteve à beira do colapso no final da época quando um patrocinador chinês recuou à última hora, deixando poucas esperanças de solução naquele período.
“O patrocínio terminava por contrato no final de 2016. E decidiram não prolongar”, recorda Mohoric, sem culpar a Lampre pelo caos do final de 2016, no podcast Domestique Hotseat.
Mas, inicialmente, tudo parecia encaminhado… até deixar de estar.
“Estava quase tudo preparado para a equipa ser apoiada por uma empresa chinesa… depois tudo descarrilou. Percebemos isso no fim da época, já tarde. Ficámos basicamente sem patrocinador e a equipa ficou no ar. Já tínhamos as bicicletas de treino todas laranja. Para nós, estava fechado e foi um choque perceber que afinal não havia nada”, disse.

Giannetti tornou-se o salvador de muitos

Matej Mohoric é célebre pelos seus ataques em descida, por vezes arriscados
Matej Mohoric é famoso pelos seus (muitas vezes) arrojados ataques em descida
Foi então que Mauro Giannetti entrou em cena com um plano para salvar o projeto através de um novo parceiro do Médio Oriente. Uma estreia à época, com o projeto do Bahrain a nascer nesse mesmo defeso. Graças aos Emirados Árabes Unidos, a equipa pôde avançar para 2017 com planos quase inalterados, salvando muitas carreiras pelo caminho.
“Foi um pouco caótico desde o início porque aconteceu tudo muito depressa”, diz Mohoric. “Mas tínhamos um bom plantel, bons corredores, porque o patrocinador chinês previa um orçamento sólido. Mudámos o jersey e começámos a correr. Tivemos uma época bastante boa, tendo em conta as circunstâncias”, recorda.
Foi precisamente em 2017 que Mohoric conquistou a sua primeira grande vitória, triunfando na etapa 7 da Volta a Espanha. Claro, com o seu ataque em descida de marca.
Embora o projeto tenha arrancado bem apesar do turbulento início, os primeiros anos não deixavam antever que, uma década depois, a UAE Team Emirates - XRG se tornaria a referência do ciclismo como a melhor equipa do mundo. “Provavelmente não era a equipa mais organizada nesse ano. Outras estavam anos à frente… a Team Sky ganhava quase tudo”, disse.
“O Mauro dizia sempre que ele e o patrocinador ambicionavam ser a melhor equipa do mundo, passo a passo. Agora têm o maior orçamento e os melhores corredores do mundo.”

Caminhos cruzam-se com a Bahrain - Victorious

Na altura, porém, Mohoric já sonhava com outro gigante petrolífero do Golfo, com o projeto Bahrain Merida bem encaminhado. Com o seu próximo, Milan Erzen, ao leme, o esloveno sabia, ainda em 2016, que os seus passos acabariam por levar à atual equipa, apesar do contrato com a UAE até 2017.
“Durante essa incerteza, o Milan Erzen já estava a planear este projeto. É muito próximo de mim, quase como um segundo pai. Conhece-me desde jovem e ajudou-me a entrar no ciclismo profissional. Foi lógico para mim juntar-me. Combinámos reservar-me um lugar lá, não no primeiro ano, porque ainda estava sob contrato com a Lampre, mas no seguinte”, explicou Mohoric.
Apesar de algumas dúvidas, Mohoric desfrutou da época crucial com a UAE, que lhe ofereceu renovação. Mas o coração já estava na Bahrain: “Não havia opção para eu ficar, apesar de me terem oferecido contrato. Senti mesmo pena por ter de recusar, mas estava entusiasmado com o futuro na Bahrain. Se pudesse voltar atrás, faria o mesmo. Não me arrependo da escolha.”
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