Nelson Oliveira concluiu este domingo mais uma
Volta a Itália e entrou para um grupo muito restrito da história do ciclismo. O corredor da
Movistar Team chegou a Roma e igualou o registo do polaco Sylwester Szmyd, tornando-se apenas o segundo ciclista a completar 23 Grandes Voltas sem qualquer abandono.
Apesar da marca histórica, o português admite que a edição de 2026 do Giro ficou aquém das expectativas que levava para a partida.
"A verdade é que, no início do Giro, sentia-me bastante bem e esperava que a coisa até corresse bem. Mas, depois, infelizmente, tive problemas respiratórios e, depois, mais tarde, alguns problemas estomacais, o que me arrastou um bocadinho para não estar a 100%", revelou.
Os contratempos físicos impediram-no de mostrar o nível que esperava, mas não alteraram a sua postura dentro da equipa. Mesmo longe da melhor condição, continuou a desempenhar o papel habitual ao serviço da Movistar, com particular notoriedade na 4ª etapa, onde eliminou os sprinters numa subida e permitiu a Orluis Aular disputar a vitória, perdendo, na altura,
para o super Jhonatan Narváez.
"Mesmo sem a melhor saúde", procurou "ajudar a equipa o melhor possível", resumiu.
A chegada à capital italiana permitiu-lhe alcançar a 23ª Grande Volta concluída da carreira, um número que o leva inevitavelmente a olhar para trás e recordar o percurso feito ao longo de mais de uma década ao mais alto nível.
"Começo a ter um bocadinho dessa noção. No final, são 23 grandes Voltas e faz-nos voltar tempos atrás e recordar como foi a minha primeira grande Volta e ver as diferenças que há. Realmente, o ciclismo mudou muito, mas sinto-me agradecido por ter chegado até aqui", assumiu.
A aventura começou na Vuelta de 2011 e, desde então, Nelson Oliveira acumulou participações nas três grandes corridas por etapas do calendário. Soma dez presenças na Volta a Espanha, nove na Volta a França e quatro na Volta a Itália.
O balanço desta edição italiana é feito sem grandes euforias, mas também sem arrependimentos.
"Foi um Giro agridoce. Nem bem, nem mal. Estou agradecido, porque cheguei a Roma, não nas melhores condições físicas, mas foi o que se pôde fazer. Por vezes, as coisas não são como nós queremos, são como nós podemos. Mas estou contente por, pelo menos, chegar a Roma são e salvo, sem grandes contratempos. Sei que dei o meu melhor, não me arrependo de nada", afirmou.
Oliveira não esteve ao seu melhor nível no contrarrelógio individual, terminando em 38º @Sirotti
Terminada a corrida, o corredor de Vilarinho do Bairro quer agora concentrar-se na recuperação antes de pensar nos próximos compromissos.
"Vou ter um período de recuperação e veremos, depois, como o corpo estará. Agora, não quero ouvir falar de mais corridas para já, porque, quer queiramos quer não, este Giro foi bastante duro, não tanto fisicamente, mas mentalmente, e temos de recuperar bem", explicou.
Neste momento, o português figura como suplente para o Tour, numa equipa que deverá ser liderada por Cian Uijtdebroeks e Iván Romeo, mas a sua presença na prova francesa continua em aberto.
"Não sei se o farei ou não. [...] Saberemos muito em breve", referiu.
Além do seu próprio percurso, Nelson Oliveira acompanhou com satisfação a excelente prestação de
Afonso Eulálio, que terminou o Giro na sexta posição da geral e conquistou a classificação da juventude.
O veterano português, que partilhou treinos com o corredor da Bahrain - Victorious antes da sua chegada ao WorldTour, considera que o resultado é fruto de uma evolução sustentada.
"Foi bastante bom e fico contente pelo Eulálio. Acho que é um corredor que soube crescer e soube entrar no WorldTour e o resultado tem-se vindo a ver. A própria equipa confiou nele e bem. Ele soube aproveitar essa oportunidade e está de parabéns", destacou.
Para Oliveira, a camisola branca conquistada pelo jovem figueirense é um prémio inteiramente merecido, depois de três semanas em que foi uma das figuras da corrida, quiçá a maior revelação.
No final da Volta a Itália, Nelson Oliveira terminou na 66ª posição da classificação geral, a 3h38m31s de Jonas Vingegaard, vencedor da prova, encerrando mais um capítulo de uma carreira que continua a acumular feitos raros no ciclismo internacional.