Felix Gall já tinha terminado Top 5 na Volta a França e Top 10 na Volta a Espanha. Após a estreia em grandes voltas na
Volta a Itália em 2022, regressou este ano com ambições bem diferentes. O corredor da
Decathlon CMA CGM queria subir ao pódio em Roma e conseguiu, só sendo batido por Jonas Vingegaard nas montanhas e na
classificação geral.
O austríaco já tinha mostrado talento, mas o quinto lugar no Tour do ano passado talvez ainda não fizesse justiça à sua capacidade em alta montanha, a principal arma do corredor de 28 anos. Nesta primavera, uma preparação diferente, mais orientada pelo treino, permitiu-lhe atingir um nível superior face ao passado.
“Acho que treinei mais e mais duro do que alguma vez treinei. Talvez também estivesse mais confiante agora”, disse Gall ao CyclingPro.net. “Já tenho idade suficiente para conhecer bem o meu corpo e não ter receio de o levar ao limite nos treinos. No fim, valeu a pena”.
Embora tenha havido um longo contrarrelógio de 42 quilómetros, o percurso do Giro é sempre muito montanhoso e foi aí que Gall fez diferenças face aos rivais diretos. “Quando fizemos o plano, em novembro do ano passado, para eu fazer o Giro, foi uma grande motivação. Vir para lutar por um lugar no pódio. Ver tudo resultar é incrível”.
O resultado construiu-se logo no primeiro final em alto, no Blockhaus, onde foi segundo muito perto de Jonas Vingegaard. Dois dias depois, no Corno alle Scale, atacou o dinamarquês e voltou a ganhar tempo significativo aos adversários. Perdeu a posição para Thymen Arensman no contrarrelógio da corrida, mas recuperou-a na etapa do Vale de Aosta e nunca mais a perdeu, ultrapassando pelo caminho o antigo camisola rosa Afonso Eulálio.
Treino diferente foi a chave para a evolução de Gall
Como atingiu Gall um nível tão alto em subida, correndo com confiança como o “número dois” do Giro (foi segundo atrás de Vingegaard nas cinco vitórias do dinamarquês)? “No passado, tinha sempre algum receio ou cautela com demasiada intensidade nos treinos. Entrava em forma com facilidade, mas também perdia a forma rapidamente”.
“A endurance que construí nos últimos anos permitiu-me puxar um pouco mais nos treinos. Talvez tenha desbloqueado um pouco mais do limite superior. Foi isso que senti nos treinos. Acrescentar um pouco mais de intensidade foi o empurrão extra de que precisava”.
Gall espera alcançar o nível de subida de Vingegaard
Na Volta a Espanha, Gall não terá de lidar com a presença de Vingegaard; e nomes como Tadej Pogacar, Paul Seixas e Remco Evenepoel também não estão, para já, apontados. Gall poderá voltar a liderar a formação francesa e ter nova oportunidade de sucesso em grandes Voltas, perante uma startlist mais modesta.
Felix Gall, Jonas Vingegaard e Jai Hindley no pódio final da Volta a Itália 2026 em Roma
“O meu nível nas subidas é bastante bom. Claro que, comparando com o Jonas, ainda há uma diferença grande. Mas espero ainda conseguir melhorar um pouco”, antecipa. “Numa grande Volta, o mais importante é nunca desistir. Aqui não tive propriamente um dia muito mau. O contrarrelógio foi um desafio, sem dúvida, mas nesses dias tens de fazer o teu melhor. Toda a gente tem um dia menos bom”.
Com regularidade, Gall alcançou aquele que é, talvez, o melhor resultado da sua carreira, a par da vitória de etapa na Volta a França em 2023. “Não é preciso fazer nada de louco. A consistência é que te dá o resultado no fim”, concluiu.