“Há alguns anos que não tenho um único dia de pernas mágicas” - Tao Geoghegan Hart confiante após um inverno sem percalços

Ciclismo
quinta-feira, 05 março 2026 a 11:00
Geoghegan Hart
Para Tao Geoghegan Hart, as últimas épocas foram marcadas menos por resultados e mais por recuperação. Lesões, doença e contratempos sucessivos têm perturbado repetidamente a carreira do vencedor da Volta a Itália 2020 desde a mudança para a Lidl-Trek, transformando o que deveria ser um novo capítulo numa longa batalha para recuperar continuidade.
Agora, à entrada de 2026, o britânico acredita que pode finalmente estar a ultrapassar o ciclo de contratempos que o travou.
Falando recentemente sobre a preparação para o ano que aí vem, Geoghegan Hart explicou que a diferença neste inverno foi a ausência dos processos de reabilitação e recuperação que dominaram as suas últimas pré-épocas. “É o primeiro inverno normal que tenho desde que estou na equipa”, disse em conversa com a Cycling Weekly.
A importância desse comentário é mais clara quando vista no contexto dos últimos três anos. Em 2023, ainda na INEOS Grenadiers, Geoghegan Hart vivia um dos períodos mais fortes da carreira. Vencera a classificação geral da Volta aos Alpes e chegou à Volta a Itália como um dos principais candidatos à maglia rosa.
Mas a sua corrida terminou abruptamente na 11ª etapa, após uma queda a alta velocidade no pelotão. Na altura, seguia em terceiro da geral e era amplamente apontado como um dos favoritos à vitória final, antes do acidente que lhe deixou uma fratura na anca e no fémur.
Sir Dave Brailsford e Tao Geoghegan Hart posam com o troféu da Volta a Itália
Geoghegan Hart tem pedigree de Grande Volta, ao vencer a Volta a Itália
A lesão exigiu cirurgia e encerrou a sua temporada. Mais tarde nesse ano, Geoghegan Hart confirmou a saída da INEOS Grenadiers para se juntar à Lidl-Trek antes de 2024, iniciando o que se previa ser um novo capítulo na carreira.

À procura de consistência novamente

A ausência de treinos ininterruptos foi um dos maiores desafios nesse período. Para um corredor cuja força se afirma nas semanas decisivas das Grandes Voltas, construir uma base sólida na preparação de inverno é essencial.
Por isso, mesmo contratempos relativamente pequenos tornaram-se mais disruptivos do que pareciam. “Estive doente antes desta corrida, mas tinha uma base onde me apoiar, ao passo que, quando não tens essa base, esses pequenos contratempos afastam-te mais do ponto onde queres estar”, explicou Geoghegan Hart.
A diferença esta temporada, sugeriu, é que conseguiu partir de uma plataforma mais estável. Sem cirurgias ou reabilitação a dominar a pré-época, o foco voltou a ser treinar e competir, e não recuperar.
Ainda assim, o processo de converter números de treino em performances de corrida revelou-se mais difícil. “Fisicamente e com bons números, não tenho tido problemas há alguns anos, mas isso é diferente de o traduzir para a corrida”, disse.
Essa lacuna entre preparação e rendimento tem sido uma frustração recorrente no regresso. Após anos de percalços, a sensação de forma excecional tem sido esquiva. “Não tive, há alguns anos, um único dia na bicicleta em que tivesse verdadeiras pernas mágicas ou me sentisse ótimo, mas no fim, tens de continuar a trabalhar”.

Um longo caminho de regresso

Apesar dessas dificuldades, as ambições de Geoghegan Hart mantêm-se claras. Quando está saudável, continua a ver o seu lugar no pelotão na última semana decisiva das Grandes Voltas. “O melhor lugar para mim no ciclismo, quando estou saudável e bem, são os últimos sete a 10 dias de uma Grande Volta. Sem dúvida”.
Para já, porém, o foco é reconstruir a condição competitiva passo a passo em vez de definir metas imediatas. “Não penso muito nesses próximos objetivos ou etapas, porque há muita coisa a fazer antes disso. Entrar nas corridas e meter boa competição nas pernas é mais o meu foco, e veremos como evolui o meu lugar no desporto nos próximos seis meses”.
Depois de várias épocas marcadas por interrupções, o simples ato de treinar, competir e progredir com normalidade pode representar o passo mais importante de todos para o antigo campeão do Giro.
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