“Há cada vez menos oportunidades para continuar neste circo” - Pello Bilbao reflete sobre a realidade da carreira aos 36 anos

Ciclismo
quinta-feira, 19 fevereiro 2026 a 16:00
Pello Bilbao
Aos 36 anos, Pello Bilbao não persegue manchetes. Procura clareza. O corredor da Bahrain - Victorious inicia 2026 determinado a reencontrar o seu melhor nível, com uma perspetiva moldada tanto pela experiência como pela ambição. Depois de um ano discreto para os seus padrões, os primeiros sinais sugerem que as bases continuam sólidas.
O quarto lugar numa etapa exigente da Volta a Múrcia e o sexto na Clássica de Jaén não valem vitórias. Mas indiciam forma. O inverno, segundo a sua própria avaliação, cumpriu a missão.
Em declarações ao Marca, Bilbao fez um balanço ponderado do arranque de época. “Comecei com boas sensações em Múrcia”.
É uma frase simples, mas reveladora. O ênfase não está nos resultados, mas nas sensações. No equilíbrio entre pernas e cabeça que decide se a força se traduz em sucesso.

Uma primavera que definirá o seu nível

Pello Bilbao na Clássica de Jaén 2026
Bilbao foi 6º na Clássica de Jaén 2026
O calendário de primavera não deixa zona de conforto. Strade Bianche, Volta ao País Basco, Amstel Gold Race, La Flèche Wallonne e Liège–Bastogne–Liège compõem um bloco exigente que tradicionalmente marca a temporada europeia. Depois chega a Volta a França em julho, o maior palco do ciclismo e outra oportunidade para se medir com os melhores.
“Com vontade de arrancar e, sobretudo, com vontade de me testar”, acrescenta Bilbao. Nesta fase da carreira, o processo vale tanto como o desfecho. Não tenta provar que pertence à frente. Isso já provou. A verdadeira questão é até onde ainda pode ir.
Há também uma camada mais profunda no seu discurso. “Quero esquecer o que fiz até agora e tentar desfrutar, consciente de que há cada vez menos oportunidades para continuar neste circo”. É uma reflexão franca de quem sabe que o tempo é finito.

“Temos pernas, mas nem sempre a oportunidade”

O ciclismo moderno dá pouca margem. “Muitas vezes temos pernas, mas não encontramos a oportunidade”.
Num pelotão hipercompetitivo, o timing e o contexto são muitas vezes decisivos. Uma hesitação, um movimento falhado, e a hipótese desvanece-se. A força, por si só, raramente chega.
O contrato de Bilbao vai até ao final da época e o basco mantém todas as opções em aberto. “Vamos ver ao longo desta temporada”. Não há pressa em definir o futuro. O foco é imediato e pragmático.
“Sei que o trabalho que fiz no inverno é bom, agora é tempo de competir e ver qual é o meu nível real”. Isso, mais do que tudo, define a missão de 2026. Medir o nível. Agarrar o momento quando surgir. E, se a oportunidade aparecer, fazê-la contar.
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