Jai Hindley aponta ao pódio da
Volta a Itália, com a etapa rainha de sexta-feira a somar quase 5000 metros de desnível, gigantes picos dolomíticos e a crucial Cima Coppi. O australiano, antigo vencedor da Corsa Rosa, sabe que chegou a hora de atacar o top-3 no seu terreno predileto.
A Red Bull - BORA - Hansgrohe deverá arquitetar uma ofensiva de montanha para colocar o seu líder à frente do atual terceiro classificado, Thymen Arensman. O neerlandês leva apenas 33 segundos de vantagem, com
Felix Gall 24 segundos mais à frente em segundo, enquanto
Jonas Vingegaard segue tranquilamente de rosa, com mais de quatro minutos de avanço.
O Passo Giau, o ponto mais alto desta edição e prestigiada Cima Coppi, promete ser um
palco decisivo da geral. O topo surge a menos de 50 quilómetros da meta, com duas contagens de 2ª categoria ainda por cumprir, e Hindley foi incentivado a espremer os rivais nas rampas do Giau para abrir diferenças cedo.
Thijs Zonneveld explicou no seu podcast
In de Waaier: “Hindley tem de arriscar. Tem duas opções e precisa de recuperar 33 segundos em duas etapas de montanha. Pode fazê-lo colocando pressão no Giau, cedo na etapa, para ver se consegue usar as subidas para fazer a diferença. A diferença não é grande, mas existe”.
Hindley incentivado a atacar Arensman
“Vai atrás, mas nesta etapa haverá quase vinte quilómetros acima dos nove por cento hoje. O peso vai simplesmente desempenhar um papel fundamental aí. Tivemos muitas subidas neste Giro de 6, 7, 8 por cento, e a última em Carì também. Arensman esteve bem, mas nunca foram percentagens bem acima dos dez por cento. Hoje vai ter isso”.
Porém, para o analista neerlandês, o que conta é o que Hindley faz depois de um eventual ataque decisivo no Passo Giau. Com muito para descer e voltar a subir, Hindley poderá precisar de apoio de companheiros para ritmar o resto da etapa, sendo pouco provável que Felix Gall e Jonas Vingegaard colaborem plenamente, mesmo que sigam o australiano.
É aí que entra
Giulio Pellizzari na equação. O jovem trepador italiano saiu da luta pela geral após um problema de saúde que o tem condicionado. Ainda assim, a formação alemã espera que, caso tenha recuperado após alguns dias menos exigentes, possa utilizar Pellizzari como possível apoio.
Pellizzari pode ajudar Hindley na luta pelo pódio
“Suponha que ele passa no topo do Giau com 30 segundos sobre Arensman, e depois? Vingegaard vai segui-lo de qualquer forma, e não fará grande coisa. Gall provavelmente também lá estará, mas também fará pouco. Então o Hindley precisa de colegas já colocados na fuga. Um Vlasov, ou um Pellizzari”.
Acrescentou: “O próprio Hindley é um pouco mais forte do que Arensman, mas não tem uma equipa muito melhor do que a INEOS. A menos que Pellizzari tenha pernas milagrosas e puxe na frente toda a subida do Giau e largue o Arensman. Surpreender-me-ia, mas é possível”.
Para lá do duelo entre Hindley e Arensman pelo pódio, Zonneveld espera que Felix Gall volte a demonstrar que é o segundo melhor trepador da corrida. Vê o austríaco a consolidar o pódio, salvo imprevisto.
“Ele não precisa de apertar no Giau já”, disse o analista neerlandês. “Está em segundo e só tem de passar dois dias a fazer o que tem feito nas últimas duas semanas. Tem sido melhor do que Arensman e Hindley em cada subida. Porque mudaria agora? Se não fizer nada de estranho, vai simplesmente ser segundo”.