Ivan Romeo chega à
Liege-Bastogne-Liege 2026 numa função ainda relativamente nova na sua carreira, a liderar a
Movistar Team num Monumento ao lado de
Cian Uijtdebroeks.
Numa das corridas mais duras e táticas do calendário, o espanhol aborda o desafio com uma mistura de ambição, cautela e vontade de continuar a evoluir. Devem Tadej Pogacar, Paul Seixas e Remco Evenepoel estar preocupados?
“Estou bem, sinto-me melhor do que esperava”,
disse ao Cycling Pro Net antes da partida, reconhecendo que as últimas semanas não foram simples. “Esta fase da época tem sido um pouco difícil para mim, mas também venho com a ideia de aprender”, acrescentou, deixando claro que o foco vai além dos resultados imediatos.
Um desafio exigente mas apelativo
Romeo não esconde a sua apreciação pelas Clássicas das Ardenas, ao mesmo tempo que reconhece as suas exigências. “São corridas de que gosto muito, mas para fazer realmente bem tens de estar no teu melhor”, explicou.
Em provas como esta, as diferenças marginais são decisivas. “Aqui, uma pequena diferença faz uma grande diferença”.
La Redoute como momento-chave
A
Liege-Bastogne-Liege, com mais de 250 quilómetros e uma sequência implacável de subidas, leva essa exigência ao limite. Romeo apontou especificamente para um dos momentos definidores da corrida. “Depois de 225 quilómetros, quando chega La Redoute, está toda a gente no limite. A colocação aí é completamente diferente”.
Apesar da juventude, Romeo já reconhece a importância da experiência e da leitura de corrida nestas condições. “Há muita luta antes das subidas-chave, e isso também é algo de que gosto”, disse, sublinhando a sua abordagem competitiva.
Ao mesmo tempo, o alinhamento da Movistar ainda está a ganhar coesão neste tipo de corrida. “É a primeira vez que este grupo corre junto, com o Cian, o Raúl, o Roger… por isso vamos melhorar”.
Ainda assim, Romeo vê valor em competir a este nível. “Estas corridas também são importantes para nós a pensar no Tour, para continuarmos a crescer como equipa”.
Poderá Romeo surpreender em Liège?
Uijtdebroeks lidera, mas há alternativas
Em termos de liderança, Romeo deixou claro onde está a hierarquia neste momento. “O Cian é a opção número um. Está super forte e conhece a zona na perfeição, vive muito perto daqui”.
Isso não significa que Romeo esteja sem ambição. “Se eu conseguir passar a La Redoute na frente, acho que o terreno depois favorece-me e posso alcançar um bom resultado”.
O espanhol também é realista quanto ao número de variáveis que vão moldar a corrida. “Há muitos ‘ses’, por isso vou ver como me sinto”, admitiu.
Se as pernas não derem para lutar na frente, o papel fica definido. “Se não, vou ajudar o Cian o máximo possível”.
Um teste ao mais alto nível
No fundo, Romeo encara a Liege-Bastogne-Liege como um teste e uma oportunidade.
É a hipótese de medir forças com os melhores, ganhar experiência e continuar a evoluir. E, se a corrida lhe correr de feição no momento-chave, acredita que há mais em jogo do que apenas aprender.