Jay Vine realizou uma das melhores exibições da sua carreira no contrarrelógio de elites masculinos do Campeonato do Mundo de 2025, em Kigali. O australiano foi o segundo mais rápido no exigente percurso ruandês, apenas batido por um imparável Remco Evenepoel e garantiu assim a sua primeira medalha individual em Mundiais ao terminar à frente de Ilan van Wilder.
Para Vine, o resultado teve um sabor especial depois da desilusão do ano anterior:
“No ano passado estava no caminho certo para uma medalha e não consegui trazê-la para casa, por isso isto é uma redenção”, afirmou à Cycling Pro Net. “Depois de ver o percurso há 12 meses, sabia que esta era a minha oportunidade de fazer uma boa prova. Não foi a preparação que tínhamos planeado originalmente, por causa da Volta a Espanha, que apareceu de repente no meu calendário, quando faltavam cerca de quatro semanas, mas mesmo assim resultou. Acho que hoje não podia ter feito uma prova melhor.”
Enquanto alguns adversários se prepararam exclusivamente para os Mundiais de contrarrelógio, Vine chegou a Kigali depois de três semanas intensas na Volta a Espanha. Longe de acusar fadiga, a experiência foi uma mais valia:
“Desta vez terminei a Vuelta em melhores condições, não estava completamente vazio. Mantive o motor a trabalhar, cheguei aqui, tive alguns dias mais fáceis, fiz um reconhecimento e consegui fazer uma prova forte. Estou muito orgulhoso da forma como corri hoje.”
Plano adaptado ao terreno ruandês
O australiano destacou a importância de rever a estratégia após o reconhecimento do circuito:
“Inicialmente, pensámos que a melhor abordagem seria começar com força e depois aguentar os últimos 10 quilómetros e as duas últimas subidas. Mas depois do reconhecimento de ontem, mudámos o plano. A segunda e última subida era mais íngreme do que o esperado e nos paralelos podia-se perder 20 segundos facilmente se não se colocasse a potência no chão. Por isso, o objetivo era conservar os primeiros tempos e depois esvaziar-me nas últimas subidas e nos paralelos. De qualquer forma, não ligo muito aos tempos intermédios. Tento apenas executar o meu próprio plano.”
Com a medalha de prata ao pescoço, Vine não esconde a ambição de chegar mais alto:
“O contrarrelógio é a minha disciplina favorita. Espero mesmo ganhar uma camisola Arco-Íris no futuro. Estar no pódio com a Arco-Íris e ouvir o hino nacional, seria um sonho absoluto.”
Carlos Silva é redator do CiclismoAtual.com e do CyclingUpToDate.com, onde contribui regularmente com crónicas de corrida, entrevistas, análises e cobertura em direto das principais competições do calendário internacional. Licenciado em Desporto pelo Instituto Jean Piaget, alia a formação académica na área do rendimento desportivo e da competição à experiência prática no jornalismo de ciclismo profissional.
Ao longo da sua carreira, realizou entrevistas a figuras de referência do pelotão internacional, incluindo Alberto Contador, Joaquim Rodríguez, Óscar Pereiro, João Almeida, Isaac del Toro, Derek Gee, John Degenkolb e Geraint Thomas, refletindo contacto direto com vencedores de Grandes Voltas, especialistas de clássicas e jovens talentos emergentes.
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